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Trajeto profissional

Fazer cinema em casa
Publicado em 12.06.2008, às 14h04

Foto: Divulgação
SÍLVIA GUSMÃO é psicóloga sócia da Trajeto Consultoria

Boa notícia para os estudantes pernambucanos. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) abrirá 360 vagas a serem distribuídas entre dez novos cursos no câmpus do Recife: Cinema, Gestão da Informação, Licenciatura em Dança, Ciências Atuariais, Arqueologia, Ciência Política, Museologia, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Energia e Oceanografia. Em Caruaru, interior do Estado, embora as vagas e os turnos ainda estejam em fase e planejamento, serão implantadas Licenciaturas em Química, Física e Matemática e Bacharelado em Engenharia de Produção.

No que se refere ao curso de Cinema, acabou o empecilho para quem não podia sair do Estado. É possível estudar na UFPE e na Aeso (Faculdades Integradas Barros Melo). Na primeira, a formação visa os seguintes aspectos: a) direção, fotografia, roteiro, produção, som, edição, montagem, cenografia, figurino, animação e infografia; b) elaboração de projetos de produção em diferentes gêneros e formatos, pesquisa acadêmica nos campos da história, da estética, da crítica e da preservação; c) desenvolvimento de políticas públicas do setor, incluindo as etapas da gestão, produção, distribuição e exibição de obras, organização de mostras, cineclubes e acervos.

Na Aeso, é possível estudar Cinema de Animação, primeira graduação do gênero no Brasil. Esse curso articula cinema e tecnologia numa estrutura curricular que integra teoria e prática, sem perder de vista a reflexão conceitual e acadêmica. O objetivo é capacitar profissionais para conceber, produzir e fazer crítica de obras de animação para cinema, TV, Internet e games. 

A produção cinematográfica pernambucana cresce com um padrão de qualidade que já conquistou reconhecimento nacional e internacional. Mas, apesar do bom conceito, do apoio da crítica e do público, há fragilidades na cadeia produtiva, principalmente quanto à deficiência de mão de obra técnica especializada e à dificuldades no processo distribuição. Um dos fatores negativos é a política de controle exercida pelos americanos. Ela trava a projeção do cinema nacional, na medida em que detém o poder de decidir preço acessível e de escolher as datas da exibição dos filmes que passam no cinema e na TV. Por conseqüência, o percentual do mercado cinematográfico brasileiro fica em torno de 10%, tornando difícil a dedicação exclusiva a essa atividade. Enquanto a situação não se reverte, uma boa alternativa é a área de audiovisual ligada aos produtos para TVs e documentários. Inclusive porque a tendência da televisão é realizar produções locais. 

Apesar desse contexto, vale destacar a importância dos governos federal e estadual considerarem cinema como atividade estratégica capaz de impulsionar a economia do país e da região. Em Pernambuco o setor recebeu do governo estadual R$ 53 milhões. O conjunto de ações ao qual esse valor será destinado inclui fomento ao cinema e à produção audiovisual. Ambos serão responsáveis pela criação de diversas oportunidades de trabalho para fotógrafos, diretores, produtores, músicos, designers, e empresas de distribuição, exibição e lançamento de filmes. 

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC OnLine



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