Reciclagem
Ativistas propõem restringir uso de plástico PET no País Publicado em 06.06.2008, às 16h42
Um grupo de cem ativistas lançou hoje no Rio de Janeiro o Movimento PET Consciente, para restringir de forma temporária o uso do plástico PET, forçando o aumento do reaproveitamento do material, usado em garrafas de refrigerantes. A intenção é sensibilizar as autoridades a negar novas licenças de envasamento em PET até que o Brasil recicle 90% do material produzido. O País recicla 51,3% das 378 mil toneladas de plástico PET que produz por ano, segundo o último Censo da Reciclagem de PET, de 2006. Mas a outra metade, 184 mil toneladas, vai parar em aterros, lixões e rios.
O Movimento, coordenado pelo biólogo Marcelo Novaes, enviou hoje um documento a parlamentares pedindo que apóiem a iniciativa e criem leis obrigando a reciclagem e mecanismos efetivos de fiscalização. "Não adianta aumentar a reciclagem se aumentarmos a produção em escala muito maior", diz Novaes. "Só podemos produzir PET à medida que tivermos condições de reciclá-lo." O biólogo sugere que, até lá, os empresários recorram a embalagens retornáveis, como as de vidro.
Os ativistas querem ainda a aprovação de leis para a coleta seletiva de lixo nas cidades e de estímulo a catadores. O PET Consciente fará ações para conscientizar os consumidores a priorizar embalagens retornáveis e separar materiais recicláveis do lixo comum. "Lutamos pelo consumo consciente", diz o coordenador. "Os cidadãos podem dar uma grande ajuda ao meio ambiente com essas atitudes.
APLICAÇÃO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta o uso de embalagens de PET novas e recicladas para alimentos e bebidas não alcoólicas. No entanto, a utilização do material em embalagens de cerveja não está regulamentada e gera polêmica. Decisão da 2ª Vara Federal de Marília, no interior de São Paulo, determinou em maio que, para obter registro no Ministério da Agricultura, os empresários terão de apresentar um estudo de impacto ambiental ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Para Novaes, embalar cerveja em PETs seria um "desastre total". Ele calcula que isso colocaria no mercado cerca de 14 bilhões de garrafas. "Seria um retrocesso", afirma. "Se não temos condições de reciclar o que produzimos atualmente, imagine o que aconteceria com todas essas garrafas mais.
Fonte: Agência Estado
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