A resistência de comunidades indígenas está atrasando a avaliação do potencial hidrelétrico de quatro bacias da Amazônia informou nessa quarta-feira (21) o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Segundo ele, há estudos com atraso superior a um ano, por causa da obstrução da entrada dos técnicos nas reservas próximas às áreas em análise.
A EPE encontra dificuldades de concluir os trabalhos nas bacias dos rios Aripuanã e Juruena, em Mato Grosso; Branco, Roraima e Araguaia, no Tocantins (este último em fase de avaliação ambiental integrada). Os estudos fazem parte de um esforço da empresa para identificar novas usinas para leilão. Nesse sentido a EPE fechou a avaliação do rio Teles Pires, também em Mato Grosso, onde identificou cinco potenciais usinas, com capacidade superior a 3 mil megawatts (MW).
“O diálogo com as comunidades indígenas não é fácil: há reservas com mais de uma tribo, há tribos com dois caciques. E, às vezes, as lideranças aproveitam para pedir coisas que não têm a ver conosco, como escola, posto de saúde”, diz o presidente da EPE, que classificou como “indesejável” o incidente ocorrido anteontem no Pará, envolvendo o engenheiro Paulo Fernando Rezende.
A tendência é que os conflitos com comunidades indígenas se intensifiquem, à medida que a fronteira energética brasileira avança sobre a Amazônia. Pelos dados da EPE, apenas 9% do potencial hidrelétrico da floresta está sendo aproveitado - em usinas prontas, em construção ou em processo de concessão.
Fonte: Agência Estado