Nas duas últimas colunas enfatizei o momento de mudança social e política que estamos vivendo. Hoje temos ferramentas que aproximam diversos grupos facilitando o processo de articulação entre eles, permitindo a participação em atividades que pressionam a opnião pública. Neste contexto é possível se questionar o porque, apesar de todos estes recursos, nossa sociedade continua imersa num mar de insegurança e medo. E, agora, cheia de justiceiros espalhados pela cidade, sedentos por criminosos!
Ora, a tão festejada democracia tem o seu lado perverso da moeda, pois é um constructo ideológico imaginário. Na teoria somos todos iguais e livres. O problema é que essa igualdade e liberdade não se refere à ordem social nem política. É, na verdade, normativa porque faz com que as pessoas acreditem que formam parte de uma mesma condição humana. A complicação nisso tudo é que a democracia que a gente acha que está pode se transformar em um despotismo democrático.
Sendo mais claro podemos lembrar que na sociedade aristocrática, o amo tinha o servo por toda a vida. Hoje, com a democracia eles são homens livres e iguais para tomarem as decisões sobre sua existência podendo até o servo tornar-se amo e vice e versa. Agora na prática, no dia-a-dia, na situação em que vivemos, a exploração acontece de tal maneira que alguns chefes (amos democráticos) podem ditar a vida dos empregados alegando que: - se eles não quiserem outros farão o mesmo serviço pela metade do preço. E tome assédio moral! E viva democracia.
Eu não venho aqui para sugerir ou falar que a democracia não presta, o que quero é promover mais um tipo de discussão a partir de minhas própias inquietações. Agora, de uma coisa tenho certeza: a democracia ou o que nos apresentaram dela é bem astuta e, como bom astuto, pode nos enganar nos colocando em situações inexistentes de poder. Temos que estar atentos e cuidadosos porque essa idéia de liberdade e igualdade pode ser a maior enrolação do mundo, uma vez que são caminhos ambíguos. Porque com a liberdade se constrói o forte e o fraco, surgindo a desigualdade. Quando se iguala a todos, restringe a possibilidade de nos difereciarmos dos demais.
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