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Planeta Bola

Os soldados de Nelsinho
Publicado em 15.05.2008, às 17h13

CARLYLE PAES BARRETO é jornalista, prestou serviços para a Folha de São Paulo e O Globo, e é repórter da editoria de Esportes do Jornal do Commercio.

O Inter usou o uniforme branco quando derrotou o Barcelona e conquistou o título mais importante de sua história, o Mundial de Clubes de 2006, no Japão. Ganhou do esquadrão que tinha Ronaldinho Gaúcho no auge, além de Messi, Eto’o e Deco. Usava também o segundo padrão na Decisão da Copa Dubai, no início deste ano, quando bateu a Inter de Milão e levou a taça.

O clube gaúcho, o que mais evoluiu no País nos últimos anos, vem utilizando o uniforme reserva como um talismã. E não apenas em decisões. Contra o Paraná, após ter perdido o primeiro jogo das oitavas-de-final da Copa do Brasil por 2x0, os gaúchos voltaram a apelar à mística da camisa branca. E golearam o rival por 5x1.

Tinha agora o time nordestino do Sport pela frente. Padrão colorido vestido e vitória por 1x0, no Beira-Rio. Mas o adversário deu trabalho. E sempre dá quando joga na Ilha. Mais uma vez, era necessário evocar o manto sagrado. Pronto. Faltava apenas isso para chegar à semifinal.

Mas o clube com maior número número de sócios do País e que tem folha salarial perto dos R$ 2,3 milhões, não esperava se deparar com um exército pela frente. Os soldados de Nelsinho, contagiados pela vibrações do caldeirão rubro-negro, se desdobraram em campo.

Dutra parecia que tinha 20 anos. Sandro Goiano mostrou categoria, sem apelar para o jogo duro. Carlinhos Bala jogou bola. E como. Luisinho atuou mal, mas foi decisivo, cobrando escanteio que originou o primeiro gol e salvando outro. Fábio Gomes surpreendeu, dando aula no segundo tempo. Os garotos Diogo e Kássio entraram na segunda etapa e assombraram os galácticos.

Igor e Durval são um parágrafo à parte. Absolutos. Anularam o craque Nilmar e o experiente Fernandão. Perfeitos no jogo aéreo. Xerifes nas antecipações. O capitão leonino foi além. Fundamental na épica vitória. Cobrou falta que lembrou o lateral Roberto Carlos nos bons tempos. E vibrou. Vibrou como nunca.

Até o sisudo Nelsinho extravasou. Após a classificação, correu em direção às sociais e foi comemorar. Agradecer o apoio, a confiança, a emoção irradiada para o time.

No final, ficou a lição de que mística mesmo, só a Ilha do Retiro. Uma espécie de ilha de Lost, onde os adversários chegam e se perdem. Mas com uma diferença. Eles voltam para casa. Só que eliminados!


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