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Show

Ney: inclassificável por natureza
Publicado em 08.05.2008, às 17h36

Galeria de fotos
JC Imagem registra performance do inclassificável Ney Matogrosso

Jaime Cavalcanti
Especial para o JC OnLine

A aparição de Ney Matogrosso no cenário musical já provocou muita polêmica no início da década de 70, quando era o integrante de maior destaque do grupo de estréia Secos e Molhados. Não é à toa que a banda incentivou até o trabalho do grupo americano Kiss. Brilho, musicalidade, cenários teatrais, performances e muita sensualidade formavam o mais importante combustível para suas apresentações.

Na mesma década e, após se desligar do grupo, Ney lançou seu primeiro disco solo – Água do céu-pássaro. O trabalho, apesar de ter influência de uma música que insinuava um cantor performático, apresentava o seu lado intérprete de importantes nomes da MPB, como Milton Nascimento, João Bosco e Sueli Costa. De lá pra cá muitos outros projetos aconteceram. Ora Ney mergulhava no universo de importantes compositores da MPB, a exemplo de Cartola e Chico Buarque, ora se banhava num repertório mais pop e inovador, ou ainda, conseguia unir esses dois universos.

Hoje, aos 66 anos, Ney Matogrosso prova que pode continuar desenvolvendo o seu lado performático como na época dos Secos. Com o seu novo show, Inclassificáveis, ele dança, pula, rebola e brinca com a fantasia das pessoas. Cazuza, Chico Buarque e Edu Lobo, Gilberto Gil e Caetano Veloso, Itamar Assumpção, além de Carlos Renó estão presentes no repertório do impecável show, que pôde ser conferido pelos recifenses na última quarta-feira, no Teatro da UFPE. Nos 90 minutos de espetáculo, Ney apresentou uma nova safra de jovens compositores e reforçou a qualidade musical dos trabalhos de Pedro Luis, Marcelo Camelo, Fred Martins e Alexandre Lemos.

A música de Arnaldo Antunes, que dá nome ao show, mostra rapidamente ao expectador o propósito do espetáculo. Quando Ney cantou o trecho “aqui somos mestiços, mulatos, cafuzos, pardos, mamelucos, sararás, crilouros, guaranisseis e judárabes.” deixou claro a sua indignação sobre qualquer tipo de discriminação e a necessidade de classificar o que é, por natureza, inclassificável.

O espetáculo conta com o figurino de Ocimar Versolato e foi inspirado na indumentária dos Reis das tribos Incas. Já o cenário, de Milton Cunha, traz uma espécie de sofá-cama que contém os acessórios do figurino que Ney usa durante o show. Também integra o cenário uma série de estampas no fundo do palco, que alternam de acordo com a seqüência de músicas.

Dirigido pelo próprio cantor, o show que surpreendeu a platéia pernambucana, revela um artista, de fato, inclassificável. Isso porque sua aparência conta com uma fórmula camaleônica, o que permite alternar de visual de acordo com a música, o clima, o cenário e, principalmente, a luz. Assim como no show “Vivo”, de 1999, em Inclassificáveis Ney troca de roupa no palco, momentos marcados por “gritinhos eufóricos” vindo da platéia. 

A banda é composta por seis músicos, dentre eles, Carlinhos Noronha no baixo, Júnior Meirelles na guitarra e violão, Sergio Machado na bateria, Felipe Roseno na percussão, DJ Tubarão na percussão e pick up, além de Emilio Carrera no piano e teclado, que também é responsável pela direção musical. A iluminação é de Juarez Farinon e Ney Matogrosso.

Um dos momentos altos da apresentação no Recife se deu durante o número Por que é que a gente é assim (Cazuza, Ezequiel Neves e Frejat) quando Ney caminha pelo público cantando, e é perseguido por vários fãs até o seu retorno ao palco. O show, que é considerado um sucesso pela crítica de todo o País, trouxe ao Recife o mesmo roteiro apresentado no Rio de Janeiro, lugar onde foi registrado para ser lançado no formato DVD.

Em boa parte do show, Ney se comunicou com a platéia através da luz que refletia em seu figurino e direcionava ao público como luzes de farol. Apesar de algumas músicas já conhecidas, o que predominou no repertório foi uma seleção de canções inéditas. Ao final, a platéia não queria se despedir e o bis foi marcado por duas musicas - Simples desejo (Daniel Carlomagno e Jair Oliveira), hit de Luciana Melo e Pro dia nascer feliz (Cazuza e Frejat). Ao fechar as cortinas, uma voz anunciou que Recife receberá Ney novamente em setembro deste ano.


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