A psoríase é uma doença freqüente da pele que pode se apresentar em diferentes graus de intensidade, desde uma única lesão a casos com lesões disseminadas por todo o corpo. É uma doença de evolução crônica, se apresentando com placas vermelhas e descamativas, de escamas aderentes, podendo aparecer em qualquer parte do corpo, mas tem como suas principais localizações os cotovelos, os joelhos, as palmas das mãos e plantas dos pés e o couro cabeludo.
Muitas vezes, as unhas também podem ser acometidas, se tornando frágeis e com a sua superfície anormalmente irregular e com inflamação e descolamento da própria lâmina ungueal. Não existe até hoje uma causa definida que justifique o aparecimento da psoríase, mas sabe-se que estão envolvidos tanto fatores genéticos quanto ambientais, tais como infecções virais ou bacterianas. E até mesmo os transtornos emocionais podem interferir no desencadeamento das placas de psoríase.
Muito embora o diagnóstico da doença, na maioria dos casos, não seja difícil, o seu tratamento, em muitos casos, é extremamente problemático. Na dependência da intensidade das lesões, podem ser usados desde os corticóides tópicos, os derivados da vitamina D (calcitriol), os derivados do ácido retinóico como o Tazaroteno, ou, mais recentemente, os imunossupressores de uso tópico (Tacrolimus), e os imunomoderadores (Imiquimod), quando as lesões estão em pequeno número. Nestes casos, os resultados em geral, são muito bons.
Existem outras situações em que se faz necessário o uso da fototerapia com radiação ultravioleta A e/ou B, associadas ou não a medicamentos tópicos ou orais (os psoralênicos), que as potencializa. Nos casos mais severos e extensos, as opções terapêuticas indicadas são as medicações de uso sistêmico, que variam desde imunosupressores de uso oral, entre eles, os mais usados são o Methotrexato e a Ciclosporina, ou ainda podem-se usar os retinóides orais, como a Acitretina. Todos apresentam diversos efeitos colaterais, muito embora tenham boa eficácia no controle das lesões.
Recentemente, o uso da Terapia Fotodinâmica ou PDT (do inglês Photodynamic Therapy), que inicialmente teve sua indicação na dermatologia para o tratamento das ceratoses actínicas (lesões pré tumorais), tem se mostrado extremamente eficaz também para o tratamento de outras várias doenças da pele, dentre elas, a psoríase. Principalmente nas placas recalcitrantes e também para os casos com múltiplas placas, onde existam contra-indicações para o uso de medicamentos de uso oral.
É um tratamento fácil e com mínimos efeitos adversos. Com a aplicação do ALA (Ácido 5-Amino Levulínico) diretamente sobre as placas da psoríase, existirá uma afinidade desta substância pelas células alteradas presentes nas lesões. O ALA ficará em contato com a pele por mais ou menos uma hora e, logo após isto, será emitida uma luz azul (405 nanômetros), de baixa potência, durante 25 minutos, quando ocorrerá uma dor bastante suportável.
Com este processo, existirá uma reação fotoquímica, com a formação de uma substância chamada porfirina, que levará à destruição das células modificadas pela psoríase. Este é um tratamento que deverá ser realizado com intervalos semanais ou quinzenais. Estamos diante de um novo e promissor tratamento para esta freqüente doença da pele, pois ele vem se mostrando muito seguro, relativamente pouco oneroso e bastante eficaz!
Email: clinica@claudiamagalhaes.com
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC OnLine