O setor têxtil de Pernambuco perdeu sua força no século 20. Porém ressurgiu no Agreste como um dos pólos de confecções mais competitivos do País e um dos setores mais importantes da economia do Estado. Sua densidade econômica é constatada por pesquisas da TGI Consultoria em Gestão e do INTG, Instituto da Gestão - Empresas e Empresários; da FIEPE - Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco; e do SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Segundo Fátima Brayner, coordenadora da 10ª edição da Pesquisa Empresas e Empresários, a consolidação do desenvolvimento desse setor nos próximos anos depende dos seguintes fatores: implementação do Pólo Petroquímico no Complexo Industrial e Portuário de Suape, o qual representará a "refundação" da indústria têxtil do Estado, agora, baseada na produção de poliéster; definição de políticas públicas e ação proativa por parte dos empresários.
Além desses fatores, ela adverte sobre a importância da capacidade de recriar para sobreviver num ambiente de concorrência global, ressaltando os preços baixos e a solidez da confecção chinesa. A pesquisadora lembra ainda que do mesmo modo que a competência para inovar foi o marco do segmento da confecção em Pernambuco, será o fator determinante de sua transição para a moda. No conjunto dos desafios dessa atividade a criação de marcas próprias e o empreendedorismo são componentes imprescindíveis, porque a moda está associada ao conceito, ao design, às novas tecnologias de produção, a um sofisticado processo de industrialização, à gestão empresarial e à sintonia com o que acontece no mundo.
O estilismo pernambucano nasceu levando à passarela as primeiras intervenções do artesanato do interior do Estado. Naquele momento, o olhar empreendedor integrou ícones da cultura local, como os movimentos mangue e armorial, às tendências globais. Ainda hoje, essa mesma capacidade faz "ganhar o mundo" aqueles que conseguem imprimir mudanças conceituais à produção, à gestão e à comercialização dos produtos. É o caso dos estilistas pernambucanos reconhecidos no mercado nacional e internacional, os quais utilizam o artesanato nordestino: renda renascença, fuxico, filé, crochê e tricô etc. Eles valorizam produtos orgânicos e alguns engajam os artesãos em atividades que selam a aliança entre a riqueza cultura local e a tendência mundial de cuidar do desenvolvimento sustentável.
Para dar alguns exemplos destacaremos a Refazenda, marca criada há 15 anos pela empresária e estilista Magna Coeli, cujas roupas e acessórios personalizados envolvem o trabalho de dez cooperativas de artesãos do Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Ceará, Alagoas e Sergipe) e uma de Santa Catarina. Sua produção final é realizada no Recife, de onde segue para todo o Brasil e países do exterior.
Os estilistas Eduardo Ferreira, precursor do uso da renascença nos vestidos de noiva, especialmente; e Melk Z Da, por sua habilidade em misturar texturas e bordados, conquistou o mercado do Sul e Sudeste. Participou de três edições do Fashion Rio, tem produzido para nove Estados brasileiros, fez showroom em Paris e desfilou na Europa. As arquitetas Germana Valadares e Rita Azevedo que se lançaram com uma coleção inspirada no imaginário de Gilvan Samico, cartão de visita para participações no Fashion Business (RJ) e negócios com lojistas de São Paulo e do Sul. Thaís Asfora, da marca Madame Surtô, fornecedora para 35 lojas do País, agora, com seu novo filão, a moda infantil Madame Surtôzinha.
No setor de calçados, as sandálias do estilista Jailson Marcos. O design e o processo artesanal da produção é o diferencial das peças, lançadas nas edições do Mercado Pop, feira realizada no Recife na década de 90, recentemente, chegou ao um desfile em Madri.