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Planeta Bola

O chororô
Publicado em 17.03.2008, às 17h12

CARLYLE PAES BARRETO é jornalista, prestou serviços para a Folha de São Paulo e O Globo, e é repórter da editoria de Esportes do Jornal do Commercio.

Demorou, mas valeu a pena. O confronto entre Sport e Náutico foi o melhor dos últimos anos. Duelo tático, muita disposição  emoção. Do começo ao fim.

Apesar de toda provocação pós-clássico, até que não houve muito chororô. Parte da torcida do Náutico deixou o estádio dos Aflitos irritada com o conservadorismo do técnico Roberto Fernandes. Outra parte preferiu elogiar a postura do time no segundo tempo, provocada pelas mudança do treinador. Também não houve reclamações sobre a arbitragem ou violência do adversário. Não houve chôro de torcedor, de jogador, nem de dirigente.

O chororô tão comentado pelos internautas em blogs e sites dos dois clubes ficou restrito ao próprio técnico alvirrubro, ainda nos vestiários. Justamente o mais criticado do domingo. Roberto Fernandes não teve equilíbrio após o jogo. Aliás, não vem tendo ultimamente em entrevistas. Não aceita críticas e partiu para o confronto com radialistas e jornalistas. Foi mais valente diante dos microfones do que foi diante dos rubro-negros.

Chegou a usar os termos "imparciais" e "má fé". O desequilíbrio ficou claro quando, em todas respostas, procurava exemplos no adversário. Era questionado sobre o posicionamento de Geraldo. Buscava explicação em Romerito. A pergunta era sobre o meio-de-campo timbu. Se referia mais aos três volantes leoninos. Enfim, o banco de reservas ainda está bem próximo da arquibancada.

Quanto ao clássico em si, venceu quem errou menos. O Sport tem uma equipe mais equilibrada, mas levou sufoco no segundo tempo. Mesmo assim, sua proposta foi recuar e tentar matar o jogo nos contra-ataques. E conseguiu o objetivo. Só não fez mais gols por conta da falta de pontaria de Enílton.

CHORO

Principal personagem da partida, mais pela comemoração do que pelo futebol apresentado, Carlinhos Bala vem sendo alvo dos torcedores alvirrubros. Os mesmos que o endeusava há poucos anos. Mas Carlinhos sabe que não vive boa fase. Por isso apela ao marketing. É um jogador com QI limitado, por isso absolve com mais facilidade qualquer provocação. Um técnico mais experiente sabe tirar o máximo de um atleta desse.

Geraldo foi quem deu o pontapé inicial para a provocação, ao lembrar que o Sport havia sido campeão do primeiro turno sem ter enfrentado o Náutico. E ele disse uma coisa correta. Mas nunca afirmou que o rival só havia levantado a taça porque não houve o confronto. É diferente. Parabéns para o treinador Nelsinho Batista, que soube dar motivação a mais ao grupo.

GARGALHADA

Vários jogadores se destacaram no Clássico dos Clássicos, que, aliás, fez jus ao nome. Do lado timbu, Ticão foi o melhor. Mas Vágner, Everaldo e Radamés, além de Serginho, jogaram bem.

Entre os rubro-negros, Igor se sobressaiu, apesar de existir uma corrente na torcida e em parte da imprensa de apenas ver boas atuações em Durval. O xerife, autor do gol da vitória, também foi muito bem. Mas não tanto quanto o camisa 3. Luisinho Netto, Éverton e Daniel Paulista também foram soberanos, a exemplo de Magrão. Ou seja, basicamente jogadores de defesa, o que demonstra a preocupação das duas equipes.

CHORÃO

Mais conhecido por ser filho de compositor, o alvirrubro Nonô Germano deu péssimo exemplo. Tanto no Lance Final, quando em entrevista à TVU, o cantor se mostrou desequilibrado, gritando e chamando Carlinhos Bala de maloqueiro, por conta da provocação do atacante. Logo ele, que vem pedindo paz nos estádios em comerciais na TV Globo.


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