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i-nove

Inovando pela aquisição
Publicado em 17.03.2008, às 10h43

ROMULO QUEIROZ é economista pós-graduado pela Harvard University e especialista em estratégia e gestão da inovação

A cada dia, mais e mais empresas estão buscando a inovação pela aquisição de outras empresas. São exemplos disso a compra da Pixar pela Walt Disney e a do YouTube pela Google.

Apesar dessa prática ser muito válida para as grandes empresas, está longe de ser a mais barata. Para as pequenas empresas empreendedoras, essa é uma grande oportunidade, uma vez que as grandes empresas acabam comprando soluções criativas que tenham sinergias com seus negócios. De fato, muitos empreendedores já aprenderam isso e constroem seus negócios pensando em vendê-los às grandes empresas por muito mais do que investiram.

Assim, para os gigantes é muito melhor adotar mecanismos de inovação interna, enquanto que, para as pequenas, é muito bom ter em mente a possibilidade de gerar negócios inovadores que possam ser vendidos para grandes empresas.

Mas como fica a transição ou absorção dos conceitos inovadores quando uma empresa adquire outra para inovar?

Há algumas semanas, assisti a uma palestra muito interessante da Dra. Anna Goussevskaia, da Fundação Dom Cabral, sobre o tema. Após a análise de estudos de casos, foram identificados vários fatores de sucesso para que a aquisição consiga transformar ambas as empresas em empreendimentos vencedores.

Assim buscarei compartilhar como vocês alguns dos temas levantados pelo estudo.

O primeiro deles é ter uma liderança corporativa bem definida, onde os papéis de cada um dos envolvidos é claramente comunicado.

O segundo é fazer uma reflexão estratégica do negócio. Muitas vezes a aquisição busca apenas adquirir um produto ou serviço inovador, mas deixa de lado a questão da inovação contínua, tendo normalmente a cultura da empresa que adquiriu sobrepondo-se à cultura da adquirida. Assim, faz-se muitas vezes o uso de mediadores externos que possam fazer o papel de negociadores para alinhamento de interesses conflitantes.

O terceiro e muito importante tema é o redesenho conjunto de processos. Ou seja, a imposição de processos mais rígidos de controle pode muitas vezes destruir a fórmula de sucesso que a grande empresa acabou de adquirir.

Por fim, eu gostaria de dar um destaque a uma citação da própria Dra. Anna Goussevskaia: “Não importa comprar quem sabe fazer, mas criar as condições para manter a vontade de fazer”. Por vezes, uma empresa, quando adquire outra menor, busca manter as pessoas que fizeram daquela organização comprada uma empresa de sucesso, mas, quando as coisas começam a mudar (muitas vezes para pior na percepção dos comprados), a falta de motivação torna o desempenho sofrível. Essa é uma lição importante e muito difícil de executar com sucesso, pois a tirania da hierarquia do poder ainda é algo muito arraigado no mundo corporativo.

* As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC OnLine


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