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Brasil que inova...
Publicado em 04.03.2008, às 07h52

ROMULO QUEIROZ é economista pós-graduado pela Harvard University e especialista em estratégia e gestão da inovação

Nas últimas semanas, escrevi sobre porque o Brasil não é tão inovador quanto poderia ser. Ao mesmo tempo, uma recente reportagem da revista Exame estampou na capa o ranking das principais inovações que o Brasil gerou, tais como o carro bi-combustível, uma resina para a produção de plástico biodegradável e até o uso de vending machines para livros.

A próxima pergunta a ser feita é: Será que estas inovações são suficientes para transformar o Brasil em uma potência econômica?

Assim como uma organização que cria uma inovação que rompe com os padrões normais de uso de produtos em massa pode se transformar, de uma hora para outra, em uma grande potência, a exemplo da Google, da Microsoft e da Amazon, um país também tem a chance que fazer o mesmo.

Acredito sinceramente que as inovações que o Brasil está produzindo no campo da energia limpa e dos materiais biodegradáveis podem de fato transformar este País em uma grande potência econômica, obviamente que aliada às demais atividades econômicas que o Brasil já apresenta grande desempenho. A grande questão agora está na velocidade em que vamos conseguir fazer com que o mundo inteiro passe a “comprar” essas inovações.

Tenho certeza que, enquanto o Brasil tenta fazer com que os outros países adquiram essas tecnologias, existem várias empresas e instituições pesquisando e buscando soluções similares para competir em nível global. Ou seja, precisamos correr (e muito) para podermos aproveitar para o Brasil o valor gerado por estas inovações. Caso contrário, o Brasil pode perder o “timing” do mercado, significando que outros países podem ser fortes competidores nestes mesmos campos.

Se isto acontecer, o país que tiver a maior força econômica poderá se sobrepor à do outro, ou seja, mesmo que não tenha a melhor tecnologia aquele poderá impor a sua tecnologia à brasileira, ganhando mercado e deixando o Brasil para trás na corrida para consolidar a sua inovação.

Foi exatamente isso que aconteceu, por exemplo, com o Iridium, um telefone via satélite que se propunha a oferecer telefonia em qualquer ponto do planeta. Tudo bem! O telefone era enorme e tinha um custo altíssimo, mas o que mais prejudicou o retorno econômico dos US$ 5 bilhões investidos foi o tempo que a inovação levou para chegar ao mercado (time-to-market). Nos doze anos que se passaram entre a concepção da idéia até o lançamento, os competidores foram capazes de criar suas próprias redes de telefonia móvel a preços muito mais convidativos.

Uma outra questão ainda paira sobre essas inovações “brasileiras”. As empresas detentoras destas tecnologias inovadoras podem, na verdade, ser estrangeiras. Será que a sede destas empresas no estrangeiro está disposta a deixar o lucro destas inovações realmente vir ou ficar para o Brasil?

* As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC OnLine


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