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Toques digitais

Quando o distinto público não entende o que se passa
Publicado em 29.02.2008, às 09h40

JOSÉ TELES é crítico musical do Jornal do Commercio

Na edição de hoje do Caderno C, abro a matéria sobre o lançamento do disco de Maria Bethânia com a cubana Omara Portuondo, contando a hilária "entrada triunfal" da cantora baiana no palco do festival de Varadero, Cuba, em 1986. Antes dela, apresentou-se um grupo feminino africano, cujas integrantes cantavam equilibrando um copo com água na cabeça (deve ter sido, portanto, da África, que as mulheres do Samba de Veio, da ilha Massangano, em Petrolina, herdaram o costume de dançar equilibrando uma garrafa). Sei que as moças foram respingando água pelo palco, enquanto cantavam e dançavam. Quando Bethânia entrou, pisou numa poça d'água, levou o maior choque, e reagiu dando um salto, que surpreendeu o distinto público. Ela foi ovacionada pela platéia, que não sabia que a "entrada triunfal" foi à base de energia elétrica.

O público, como marido enganado, normalmente é o último a saber, e geralmente acha que incidentes de palco fazem parte do show. Foi assim, que aconteceu em São Paulo, com o grupo de humoristas, que uns tempos atrás viajava pelo Brasil mostrando que também era bom de música (bom, ma non troppo). Luis Fernando Veríssimo, os irmãos Chico e Paulo Caruso, que se autodenominavam Aqui Jazz Tancredo Band. Num show em Brasília, cheio dos uísques, eles entraram no palco com as luzes apagadas, Veríssimo, o sax do grupo, errou o caminho, caiu de uma escada e fraturou a rótula. Ouviu-se o estrondo, os irmãos Caruso contaram quer houve um acidente, perguntaram se havia médico na platéia e o pessoal morrendo de rir, achando que a apresentação já havia começado.

E aí eu até dou uma certa razão ao pessoal que riu. Porque, no comecinho dos anos 70, Miéle fazia umas intervenções num show de Elis Regina, dirigida por Ronaldo Bôscoli, seu então marido (marido de Elis, não de Miéle, fique-se claro). Em um dado momento do espetáculo, Miéle aparecia no palco com um megafone e dizia: Proprietário do carro placa – dizia um número – Atenção proprietário do carro, placa – repetia o número, em voz mais alta - e arrematava: "Tua mãe morreu!".

O pessoal, claro, ia às gargalhadas. Como foi às gargalhadas, a platéia do Teatro do Parque, uns quatro anos atrás, num show do Cordel do Fogo Encantado. Logo na música de abertura, o vocalista Lirinha no meio do palco, começou a cantar, deu um salto no ar, e sumiu. Um efeito especial que fez a platéia mandar ver nas palmas. Porém não foi efeito, e sim defeito especial. Quando Lirinha saltou, uma das táboas do assoalho do palco soltou-se e ele emburacou, literalmente, palco adentro. Saiu alguns minutos depois, morto de susto, e coberto de poeira e de teias de aranha.

No mesmo teatro do Parque onde, num show de Gonzaguinha, um fotógrafo (não lembro se profissional ou só um fã mesmo) continuou em cima do palco com a máquina clicando, indiferente aos sinais que o cantor fazia para ele descer. A coisa foi ficando meio no suspense, porque se sabia que Gonzaguinha não era de muita paciência, e o cara nem aí, só fotografando. Súbito Luiz Gonzaga Jr. Parou de cantar, aproximou-se do fotógrafo e o empurrou com as duas mãos, palco abaixo. Desta vez o público entendeu, não aplaudiu, mas gostou, apesar da grossura do artista.

Outra boa, aconteceu na década de 80, não recordo mais o ano exato (acho que 1985) Um show no bairro do Recife, de uma banda de metal pesado, a carioca Taurus (salvo engano. Hoje eu tô cada vez mais cheio dos salvo enganos). A turma lá entusiasmada, na maior empatia com a banda. Tanto empatia, que o vocalista Otávio Augusto arriscou um mosh (aquele salto os metaleiros dão do palco para a platéia), para cair nos braços da galera. Traíra, esta galera. O pessoal afastou-se, e o vocalista estatelou-se no chão. Isto talvez justifique e explique porque depois deste show no Recife, coincidentemente, Otávio Augusto largou a banda. Vai ver que desiludido pelo o que os fãs pernambucanos fizeram com ele.

E para fechar estes equívocos de palco, conto uma historinha que teve a participação do locutor que vos tecla. Eu, Bione, Laílson e Clériston formamos uma das bandas mais tronchas já surgidas em Pernabuco, a Pão com Banha (na época a moda era Mastruz com Leite, Caviar com Rapadura, Feijão com Arroz, e outras misturas gastronômicas). Pra começar ninguém ensaiava, ou melhor até que ensaiava, mas se bebia tanto que o ensaio ficava em segundo plano. Pra encurtar, em 1990, a gente fez uma festa A noite do Papa-Figo, na sede do Batutas de São José, que ainda ficava no bairro de São José. A festa foi um sucesso, o show da gente nem tanto. Aliás, o sucesso da festa só não foi maior, porque o pessoal pediu pro comandante da casa militar, era no governo Carlos Wilson, pra reforçar a segurança.

Resultado: o comandante botou tanto policial perto do clube, que muita gente desistiu de entrar no Batutas, achando que fosse briga, e feia. Encurtando. Começamos o show, com acompanhamento da gente e do Túnel do Tempo, o grupo mais deslocado do que freira em praia de nudismo. A platéia lotada, até o governador tava lá, a gente adentra o palco com bem uma hora de atraso. Assim que Bione pega no microfone grita: "Esta porra tá dando choque!" o público riu. Mas o microfone tava dando choque mesmo. Não apenas dando choque, como alguém quebrou um copo no palco e eu, feito Bethânia, tava descalço e levei um corte (felizmente pequeno) no pé. Lá pras tantas, a gente cantava uma música politicamente incorretíssima, que daria uma Lei Maria da Penha legal pro autor, ou por cantá-la em público. Nisso uma feminista, cujo nome não lembro, chegou-se pra perto do palco, tomou o microfone de alguém da banda (não recordo mais quem), e começou a dar um senhor esporro em nós, machistas, retrógrados, reacionários. O maior esculacho. Tonton, ator que fazia uns esquetes durante o show, vestido de mulher, levantou a saia (tava de cueca por baixo), saltou do palco em cima da manifestante, e ficaram os dois disputando o microfone. O maior rolo!

O povo embolando de rir, achando que a confusão fazia parte do roteiro. A gente até tinha planejado um roteiro, mas na hora foi na tora, com perdão da rima pobre.


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