São significativos os problemas ambientais do Brasil. A perda de 5% da área de origem da floresta atlântica brasileira, assim como, a devastação da floresta amazônica, que já corresponde a 15%, constituem-se em uma das maiores ameaças ao ecossistema do mundo. Na área urbana, os problemas se concentram nas esferas do tratamento da água, esgoto, lixo, drenagem urbana, controle de vetores transmissores de doenças e poluição atmosférica, cujas soluções dependem de decisões políticas e da atuação efetiva de profissionais qualificados. Nesse contexto, perspectivas surgem para engenheiros ambientais desenvolverem ações destinadas à racionalização dos recursos naturais. A profissão é relativamente nova, mas as chances de crescimento existem por fatores que obrigam o Brasil a rever custos e conceitos.
Entre esses fatores se destacam a consciência ambiental, as exigências da legislação, a entrada de empresas estrangeiras no País, a demanda do comércio internacional por produtos certificados com "selo verde". Eles geram a necessidade de reduzir, reaproveitar e reciclar resíduos, como também, adequar processos de tratamento e disposição dos rejeitos. Prática que concorre para aprimorar a eficácia dos produtos, diminuir custos e agregar valor à imagem das organizações que se comprometem com o desenvolvimento sustentável.
Essas organizações têm por missão prestar serviços de proteção ambiental. Algumas atuam no tratamento de resíduos industriais e urbanos, efluentes com foco no reuso de água e na operação de serviços de água e esgoto em regime de concessão. Carência da grande maioria das cidades. Para se ter idéia, não chegam a 30% os municípios que contam com destinação apropriada para lixo urbano. Os outros utilizam aterros sanitários próximos da saturação, funcionando como lixões a céu aberto e causando sérios prejuízos ao meio ambiente. A previsão é que o reuso da água seja uma alternativa de solução para os grandes consumidores industriais (empresas de petroquímica, petróleo e gás, siderurgia, mineração e montadoras de veículos) lidarem com a necessidade de aumentar o consumo de água e baixar os custos estipulados pelas novas leis governamentais, que autorizam a cobrança de taxas desde a captação direta nos rios.
Afora as possibilidades nas organizações especializadas em serviços de larga escala, existe lugar para engenheiros ambientais nas indústrias de plástico, petróleo, tecidos e fundições, que buscam certificação ambiental. Do mesmo modo, em usinas, estradas, ferrovias e obras de infra-estrutura que dependem da avaliação e de relatórios de impacto ambiental para que possam se instalar.
Em Pernambuco, os novos empreendimentos devem gerar demanda expressiva de estudos sobre impactos, pareceres técnicos, diagnósticos, soluções, acompanhamento e implantação de sistemas e equipamentos, do planejamento à execução de projetos na área ambiental.
Na esfera pública, esses engenheiros podem trabalhar em órgãos executores de controle ambiental, como o CPRH, responsável pela gestão ambiental do Estado. Instituição patrocinadora de programas em conjunto com órgãos municipais, estaduais e federais, com a finalidade de planejar, controlar e recuperar recursos naturais e ecossistemas costeiros; conservar remanescentes florestais e mananciais hídricos; apoiar a implantação de aterros sanitários e usinas de compostagem, entre outros programas.
Vale ressaltar que a condição para prospecções se transformarem em realidade é o apoio imprescindível do governo às políticas públicas de gestão ambiental, para legitimar o papel das agências reguladoras e permitir que a preocupação com o desenvolvimento sustentável se traduza em abertura de espaços para os profissionais ingressarem no mercado de trabalho.
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