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Planeta Bola

Seis por um quarto de dúzia
Publicado em 15.02.2008, às 17h32

CARLYLE PAES BARRETO é jornalista, prestou serviços para a Folha de São Paulo e O Globo, e é repórter da editoria de Esportes do Jornal do Commercio.

Zé do Carmo até que começou bem, mas seu time estava caindo de rendimento. Fato. O Santa Cruz não tinha padrão de jogo, nem uma escalação titular definida. Fato. O time corre sério risco de ser eliminado ainda na primeira fase da Copa do Brasil e de não classificar-se ao hexagonal decisivo do Campeonato Pernambucano. Fato. O presidente Edson Nogueira vinha sofrendo pressão e resolveu tirar o dele da reta. Fato.

Mas trocar um treinador que estava trabalhando há apenas um mês por um outro de qualidade duvidosa, aí é querer jogar o clube numa roleta russa. Fito Neves já trabalhou no Santa Cruz duas vezes. E mais uma no Sport. Na primeira vez, em 95, foi campeão estadual pelo tricolor. Seu maior feito foi ter alijado o rubro-negro da final numa partida épica, quando o seu time conseguiu segurar o empate com dois jogadores a menos. Depois derrubou o Náutico de Mauro Fernandes na decisão.

Em 99, comandou o Sport no Brasileirão. Seu jeito carrancudo é fruto da falta de conhecimento. Fito foi um jogador estilo beque de usina. E continuou com seu temperamento quando tornou-se treinador. Por isso não tenha evoluído. Sport, Santa Cruz e Bahia foram seus degraus mais altos. O tricolor pernambucano ainda voltou a apostar nele em 2006. E o técnico foi um dos responsáveis pela queda à Série B.

Fito Neves, natural de Tremembé, interior paulista, ficou dois meses no Arruda e diz que não recebeu um centavo do presidente Romerito Jatobá. Agora Edinho o traz, tentando parcelar a tal dívida.

Confiar um grupo limitado a um treinador de nível igual é apostar alto. E sem cartas nas mangas.


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