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Aids

Estudo suíço pode mudar vida sexual de portador de HIV
Publicado em 31.01.2008, às 16h02

Especialistas suíços em aids disseram nesta quinta-feira (31) que algumas pessoas portadoras do vírus HIV que estão sob tratamento estável podem ter relações sexuais desprotegidas com parceiros que não têm o vírus sem que estes corram risco de contaminação. A Comissão Nacional Suíça da Aids disse que pacientes em condições específicas, incluindo um tratamento anti-retroviral bem-sucedido para suprimir o vírus e a ausência de outras doenças sexualmente transmissíveis, não colocam os parceiros em perigo.

A proposta, publicada nesta semana no Boletim Médico Suíço, surpreendeu pesquisadores na Europa e América do Norte que sempre argumentaram que sexo protegido com camisinha é o único modo efetivo para prevenir a disseminação da doença além da abstinência.

"Não apenas (a proposta suíça) é perigosa, é enganosa e não considera as implicações de fatos biológicos envolvidos na transmissão do HIV", disse Jay Levy, diretor do Laboratório de Pesquisas Virais de Tumor e Aids da Universidade da Califórnia, em San Francisco. Os cientistas suíços partiram de um estudo americano de 1999, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, que mostra que a transmissão depende fortemente da carga viral no sangue. Eles disseram que outros estudos demonstraram que pacientes sob tratamento regular antiaids não transmitem o vírus e que o HIV não pode ser detectado em seus fluidos genitais.

"A evidência mais gritante é a ausência de qualquer transmissão documentada de um paciente em terapia anti-retroviral", disse Pietro Vernazza, chefe do departamento de doenças infecciosas no Hospital Cantonal de St. Gallen, no leste da Suíça, e um dos autores do relatório. "Vamos ser claros, a decisão permanece sendo do parceiro HIV negativo", ele disse. Os estudos citados pela comissão suíça não concluem definitivamente se pessoas com vírus HIV e em tratamento anti-retroviral podem ter relações sexuais desprotegidas sem transmitir o vírus.

FILHOS - Na prática, a recomendação afetaria cerca de um terço dos paciente de aids na Suíça, diz Vernazza , mas pacientes e seus parceiros irão se beneficiar de uma melhora da qualidade de vida incluindo poder ter filhos sem temer transmitir o vírus. Levy afirma que não há um modo seguro de saber se o paciente com HIV que não tem vírus detectável no sangue não transmitirá o vírus. Mais pesquisas sobre as relações entre carga viral no sangue e a presença do vírus em fluidos genitais são necessárias, ele disse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a Suíça seria o primeiro país no mundo a tentar este caminho. "Há ainda uma certa preocupação por não poder garantir que alguém não será infectado, e as provas, devo dizer, não são conclusivas", disse Charlie Gilks, diretor de tratamento e prevenção de AIDS na OMS. "Nós não vamos mudar em nada nossas recomendações muito claras de que as pessoas continuem a praticar sexo seguro, protegido com camisinha, em qualquer relação", disse Gilks.

Fonte: Agência Estado


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