Tradicionalmente, Direito é uma das profissões mais reconhecidas e procuradas pelos estudantes. Todos os anos chegam ao mercado de trabalho 50 mil novos bacharéis, oriundos dos 1.100 cursos existentes no País, quantidade que aumenta quando se trata dos inscritos para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em 2007, foram 67 mil inscrições. No entanto, o grande número de profissionais não significa mais competência no mercado, nem o desejo de exercer a profissão. A grande maioria pretende fazer concurso, em busca da estabilidade do serviço público. Uma parcela menor visa à carreira acadêmica ou à advocacia. Opções, muitas vezes, desvinculadas do planejamento da carreira e motivadas pela visão equivocada da realidade. Possivelmente, essa é uma das razões da defasagem de especialistas para atuar nos novos nichos profissionais, como Direito Internacional, Ambiental e Direito de Telecomunicações e Internet.
Estas e muitas outras especializações surgem a partir de fatores relacionados com a mundialização da economia, a urgente necessidade de preservação do meio ambiente e o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, entre outros.
Como exemplo, vamos focar o Direito Internacional. A abertura da economia brasileira impulsionou essa área de tal maneira, que ela passou a ser uma das mais promissoras, a partir dos anos 90. Ampliou oportunidades de negócios entre países, possibilitou a realização de parcerias e fusão de empresas. Atualmente, em ritmo acelerado e em curva ascendente, ocorre a internacionalização das empresas dos países em desenvolvimento.
As vinte maiores multinacionais brasileiras estão presentes em 51 países. A Votorantim, Camargo Corrêa, Odebrecht e Weg operam em 12 países, cada uma. Lideram essa lista a Vale, antiga Vale do Rio Doce, Petrobrás, Gerdau, Embraer e Votoratim.
Estes são dados do recente estudo realizado pela Fundação Dom Cabral e pelo Programa de Investimento Internacional da Universidade Columbia, comentados por Thomaz Wood Junior*, o qual demonstra que grandes empresas brasileiras transformaram o País no segundo maior investidor das nações em desenvolvimento. No conjunto, seus ativos no Exterior já somam 56 bilhões de dólares. A venda de bens e serviços rende 30 bilhões de dólares, além da oferta de emprego para 77 mil funcionários. A pesquisa revelou também que em 2006 o fluxo de investimentos das empresas estrangeiras no Brasil foi superado pelo fluxo gerado pelas empresas brasileiras no Exterior.
O processo de expansão empresarial de países emergentes ocorre de maneira generalizada. Wood cita, ainda, o estudo da consultoria Boston Consulting Group (BCG), publicado na revista The Economist, em 08 de dezembro, abrangendo 3 mil empresas de 30 países. A estratégia de muitas delas é fazer aquisições combinadas e a compra das concorrentes no Exterior. Em 2006, foram feitas 70 aquisições fora do país de origem. Em 2007, o setor empresarial de países em desenvolvimento adquiriu 171 bilhões de dólares em ativos em países desenvolvidos, três vezes mais que o último recorde, de 52 bilhões de dólares, em 1999.
O apoio jurídico é imprescindível à implantação de empresas estrangeiras no Brasil ou de empresas brasileiras no Exterior; aos setores de importação e exportação; à elaboração e acompanhamento dos processos de captação de recursos para financiar projetos; à emissão de ações, regulamentação de tratados e convenções das organizações internacionais. Neste cenário, apesar da demanda crescente por especialista em Direito Internacional, faltam profissionais para atendê-la.
As chances são proporcionais à complexidade dessa estrutura de operações e sistemas empresariais. Nela, lugar existe para aqueles que, à formação sólida, aliam visão antecipada do futuro e competência para lidar com desafios e mudanças constantes.
* Artigo On the road. Revista CartaCapital n. 476. 26 de dezembro de 2007 .