Pelo menos dez pessoas ficaram feridas durante um confronto entre invasores e assentados do Assentamento Bela Vista, administrado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Araraquara, a 275 km de São Paulo, no final da tarde desse domingo (30). De acordo com a Polícia Militar, cerca de 60 pessoas que tinham sido despejadas do assentamento pelo Incra no início do mês, reuniram um grupo maior e foram até o local para expulsar aquelas que tinham sido colocadas em seus antigos lotes.
Elas não se conformavam com o despejo apenas por terem plantado cana-de-açúcar nas áreas. Os invasores avisaram aos novos ocupantes que teriam de deixar os lotes imediatamente, senão os barracos seriam queimados. Houve resistência e confronto. Vários barracos, alguns com móveis e alimentos no interior, foram incendiados. Os invasores tombaram e atearam fogo num automóvel Corcel. Um agricultor que resistiu foi agredido com uma paulada na cabeça. Ele e uma mulher que passou mal foram levados para um pronto-socorro da cidade.
Viaturas da Polícia Militar ocuparam o assentamento, mas ninguém foi detido. De acordo com a PM, houve denúncia de furto de R$ 600 reais de um assentado, que será apurada. O tumulto só foi controlado à noite.
O Incra encaminhou à justiça o pedido de exclusão de 12 assentados do Bela Vista depois de constatar, por meio de vistorias técnicas, que os lotes tinham se transformado em canaviais. As áreas estavam arrendadas e a cana-de-açúcar avançou sobre a reserva legal. A situação contraria o Estatuto da Terra, base legal da reforma agrária. De acordo com o Incra, foram esgotadas as tentativas de resolver a questão administrativamente.
Nas vistorias foi constatado que a cana está em 80% dos 176 lotes, mas naqueles 12 tinha características de monocultura. De acordo com o Incra, a produção nos lotes da reforma agrária deve ser explorada pela força do trabalho familiar, garantindo a segurança alimentar. A família deve morar no lote ou na agrovila e ter uma diversidade de produção para a própria subsistência e geração de renda. No Bela Vista, foram investidos mais de R$ 1,3 milhão em melhorias, inclusive na instalação de uma agroindústria de farinha de mandioca. Mesmo assim, muitos assentados preferiram a cana.
Fonte: Agência Estado