Após vários adiamentos, a operação organizada por Hugo Chávez para resgatar três reféns em poder da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ameaça fracassar, como admitiu o próprio presidente venezuelano neste domingo (30). "Se houver atraso de mais três, quatro ou cinco dias pelas mesmas razões de segurança (para os guerrilheiros), essa operação pode ser cancelada e teríamos de pensar em outra", disse Chávez.
"Dentro e fora da Colômbia há quem aposte no fracasso da operação e o primeiro deles é o governo dos Estados Unidos", acusou o presidente venezuelano ontem. Hoje, o alto comissário colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo, negou que seu país tenha "sofrido pressões por parte de qualquer governo estrangeiro".
Se realmente fracassar a alardeada estratégia de Chávez, ele fechará o ano com outra grande derrota. Além de perder o referendo sobre a mudança na Constituição, Chávez ficou com a imagem comprometida no exterior após um bate-boca com o rei da Espanha, Juan Carlos, e ao ser destituído do papel de mediador com as Farc pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, que o acusou de interferir em assuntos internos do país.
Hoje, Chávez, seus convidados estrangeiros e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aguardaram com ansiedade o início da operação de resgate. Todos estavam prontos, menos as Farc. Como na véspera, o governo venezuelano esperou, em vão, que os guerrilheiros passassem as coordenadas do local onde serão entregues a deputada Consuelo González de Perdomo (seqüestrada em 2001), Clara Rojas, assessora da ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt, e seu filho Emmanuel, que nasceu no cativeiro há três anos.
Pela manhã, a rádio colombiana Caracol chegou a informar que o ex-ministro venezuelano Ramón Rodríguez Chacín, responsável pelo contato com as Farc, já havia recebido as coordenadas. No entanto, o CICV, responsável pelo resgate na selva, desmentiu a informação. Bogotá também autorizou a entrada de outras três aeronaves venezuelanas, que se somaram a outros dois helicópteros MI-17 que já aguardavam no aeroporto de Vanguardia, na cidade colombiana de Villavicencio, escolhida por Chávez como base para a missão que ele batizou de "Operação Emmanuel".
O presidente venezuelano tinha dito, ontem, que possivelmente seriam necessários helicópteros menores para o resgate na selva. Daí a autorização para a entrada de outros dois, modelo Bell 212 além de um avião Falcon 50. Restrepo garantiu que Bogotá não interferiria no resgate e disse que, se necessário, aumentaria o prazo para a conclusão da operação. No fim da tarde, todas essas indicações de que se libertariam hoje os reféns foram frustradas.
Fonte: Agência Estado