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Cultura RaiTEC

Como a internet mata a cultura
Publicado em 18.12.2007, às 17h09

JOSÉ CARLOS CAVALCANTI é professor de Economia da UFPE e ex-Secretário Executivo de Tecnologia, Inovação e Ensino Superior de Pernambuco

Gostaria de terminar as contribuições que venho dando a esta coluna neste primeiro ano (voltarei na primeira quinzena de janeiro próximo) sugerindo um livro super-interessante publicado este ano (não conheço ainda tradução para o português).
 
O título acima é o de um livro que, no mínimo, podemos dizer que é bastante polêmico e provocativo. Seu título em inglês “The Cult of the Amateur: How today´s Internet is Killing our Culture”, foi escrito pelo não menos polêmico escritor Andrew Keen.

Keen nasceu na Inglaterra, formou-se em História pela University of London e obteve o mestrado em Ciência Política pela University of California, Berkeley. Mora há alguns anos na Califórnia e é considerado um autor do Silicon Valley pela imprensa americana.

Neste livro, Keen expõe as graves conseqüências da nova, e atualmente participativa, Web 2.0, e revela como ela ameaça nossos valores, economia, e, última instância a inovatividade e a criatividade que formam a fábrica da “conquista americana” (esta ênfase nos EUA se dá pelo fato de ser lá nos EUA onde a Web 2.0 mais se desenvolve).

Segundo ele a maioria das nossas valorosas instituições culturais, os profissionais dos grandes jornais, da música, dos filmes, estão sendo superados por uma avalanche de conteúdo gratuitamente gerado por usuários e amadores.

As receitas de propaganda estão sendo sifonadas pelos comerciais classificados como gratuitos pelas Craiglists; as redes de televisão estão sob ataque das programações gratuitamente geradas pelos usuários no YouTube e assemelhados; o compartilhamento de arquivos e a pirataria digital devastaram a indústria multibilionária da música e ameaça solapar a indústria cinematográfica.
 
E o que é pior, argumenta Keen, nossa cultura online de “cut-and-paste” (copiar e colar), em que a propriedade intelectual é livremente bypassada, baixada, remixada, e agregada, ameaça mais de 200 anos de proteção ao direito de propriedade (o copyright) e os direitos intelectuais de propriedade, roubando artistas, autores, jornalistas, músicos, editores, e produtores dos frutos dos seus trabalhos criativos.

A mesma anonimidade que a Web 2.0 oferece chama a atenção para a “confiabilidade” da informação que recebemos (tipo informações geradas para sites como o Wikipedia), e cria um ambiente em que predadores sexuais e ladrões de identidade possam surfar livremente. 

Mesmo não sendo nenhum ludita - Keen foi pioneiro na criação de várias start-ups na Internet - ele urge que nós consideremos as conseqüências do suporte cego à cultura que endossa o plágio e a pirataria, e que fundamentalmente enfraquece a mídia tradicional e as instituições criativas.

Confesso que ainda não li o livro (eu o encomendei semana passada), mas tive a oportunidade de ler os comentários na Amazon.com (78 quando escrevo este artigo), de ver o material do blog do Keen e, acima de tudo, assistir uma palestra sua no Google Teck Talks, em 05 de junho deste ano.

Um livro imperdível para estas férias de fim-de-ano!
Boas Festas e um Grande 2008!


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