Administração de Empresas é um dos cursos mais concorridos, apesar de nem sempre ser desejo dos estudantes atuar no campo empresarial. Ao contrário, é comum considerarem uma "saída para quem não sabe o que quer". Esse equívoco os induz a enveredar pela contramão da realidade. Primeiro, empresas não absorvem pessoas sem rumo. Elas crescem e se consolidam porque definem rotas, ações estratégicas e o perfil dos gestores capazes de conquistar suas metas e seus objetivos. Segundo porque, a partir desse horizonte curto, perde-se de vista componentes imprescindíveis a um bom projeto profissional, a exemplo de foco nas demandas do contexto macroeconômico.
É o caso da crescente procura por executivos especialistas em Administração Financeira, em Auditoria - que passa a ter um estatuto global - e Comércio Exterior. São nichos indissociáveis da abertura do mercado de capitais no Brasil, das exigências de ajustes às regras contábeis internacionais e da implantação de governança corporativa nas empresas. Porém, a capacidade dos profissionais atenderem à necessidade do mercado não corresponde às chances disponíveis.
Em Pernambuco, o favorável ambiente macroeconômico estadual e brasileiro tem estimulado investimentos responsáveis pela retomada do setor industrial e pela implantação, nos próximos cinco anos, de projetos como a refinaria Abreu e Lima, o estaleiro Atlântico Sul e o Pólo de Poliéster, com repercussão na infra-estrutura portuária, rodoviária e hídrica. A economia do Estado se expande desde o ano 2000, após uma década de estagnação (de 1980 a 1990), ultrapassando o desempenho econômico nacional, cujo ritmo atingiu o percentual de 3,6% em 2005 e, no ano seguinte, 4%.
Segundo analistas da Ceplan, esse cenário amplia os negócios das empresas revendedoras de automóveis e de telecomunicações. Do mesmo modo que influencia o reaquecimento de setores tradicionais da economia pernambucana (indústrias têxtil, eletro-metal-mecânica, sucro-alcooleira) e a presença crescente de empresas privadas multinacionais e de capital nacional. Tudo isso indica um salto qualitativo da economia estadual, surgimento de novas iniciativas empresariais e afirmação de novos eixos espaciais de dinamismo econômico no Estado.
Esses novos empreendimentos devem gerar, em cinco anos, 263 mil empregos em Pernambuco. Oportunidades não faltarão para gestores empresariais. O grande desafio é qualificação e competência profissional. Vale para todos, do operário da fábrica ao executivo do mais alto posto de comando.