O desmatamento na Amazônia continua sendo a maior preocupação de cientistas em relação ao Brasil. Esta foi a principal conclusão da 27ª edição do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) da ONU (Organização das Nações Unidas), encerrado neste sábado, na Espanha.
Para o pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e integrante do IPCC Paulo Artaxo “não é correto” deixar só com o país a tarefa de manter “a Amazônia de pé”. “Uma nova ordem mundial vai ter que se estruturada para lidar com esses problemas”, disse.
Segundo o pesquisador, apesar da redução nos últimos três anos da taxa de desmatamento de 20 mil quilômetros quadrados por ano para 10 mil quilômetros quadrados por ano, ainda há muito o que fazer. “Dez mil quilômetros quadrados de destruição de floresta é uma área absolutamente intolerável para a população brasileira.”
O processo de desmatamento da Amazônia também foi lembrado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante o discurso de encerramento do IPCC. Ban Ki-moon denunciou a situação da Amazônia, sufocada pelo aquecimento global, e pediu ações concretas para conter as mudanças climáticas.
“A comunidade científica falou hoje em uníssono, e espero que os políticos façam o mesmo”, por ocasião da próxima Conferência das Nações Unidas sobre o clima em Bali, declarou Ban Ki-moon, durante a publicação oficial do quarto relatório elaborado pelo IPCC destinado aos dirigentes do mundo.
O secretário-geral da ONU destacou que a mudança climática afetará com mais eficácia os países em desenvolvimento: o degelo provocará inundações nas zonas montanhosas e escassez de água na Ásia Meridional e na América do Sul, causando também um retrocesso na economia dos países menos desenvolvidos.
O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, defendeu uma “nova ética, pela qual cada indivíduo, diante da gravidade da ameaça, comece a modificar seus hábitos e seu estilo de vida”. Ele também insistiu sobre as conseqüências dramáticas a que são expostos os Estados insulares e centenas de milhões de habitantes dos grandes deltas - como Bangladesh, atingida nesta semana pelo ciclone Sidr.
No entanto, os Estados Unidos - que não ratificaram Kyoto - recusam todo o objetivo que obrigue a redução de suas emissões. Um de seus negociadores, Harlan Watson, contestou sábado o caráter “irreversível” das conseqüências do aquecimento, estimando que “não há definição científica precise” dos perigos considerados.
Fonte: Diário do Grande ABC com Agências