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Trajeto profissional

Sobram vagas para professores
Publicado em 12.11.2007, às 10h17

MARIA SOBRAL é psicóloga e trabalha na Trajeto Consultoria

No Brasil, o campo da educação remunera mal os profissionais. Essa é uma das razões do entendimento disseminado de que não vale a pena ser professor no País. O desestímulo generalizado pelo magistério afeta a escolha dessa atividade profissional, a permanência na carreira e o investimento na qualificação continuada.

Essa realidade foi gerada e se mantém devido ao histórico descaso com a educação. Na rede pública, o desestímulo tem sido reforçado pela precariedade das condições de trabalho, baixos salários e políticas públicas descomprometidas com a qualidade do ensino. Na rede privada, os profissionais se sentem desvalorizados, mal remunerados e sobrecarregados com  horários a serem cumpridos em diversas instituições simultaneamente. Além dos vínculos trabalhistas instáveis e do sentimento de insegurança que produzem.
     
Mas, nesse contexto, existe também a força propulsora de mudança que depende de cada um para transformar essa realidade. O modo como se educam e se formam as pessoas, do ensino fundamental ao ensino superior, pode gerar profissionais que dêem continuidade à cultura da lamentação ou profissionais conscientes do valor que tem sua função para a construção de um Mundo melhor.
 
Oportunidades de trabalho com vínculos estáveis podem ser alavancados por quem adota uma posição prorativa. Por quem se inclui como responsável pela maneira como funcionam as instituições sociais. No Brasil, existem vagas ociosas em várias áreas, inclusive, na educação. Por exemplo, faltam professores para ministrar aulas de biologia e de geografia. Segundo pesquisa do Inep - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - realizada em 2005, para atender à demanda dos ensinos Fundamental 2 e Médio, seriam necessários 17.500 docentes especializados em geografia. Esse estudo relata que, na última década, o mercado recebeu 53.500 graduados nessa licenciatura, porém, as escolas precisam de pelo menos 71 mil.
 
A qualificação facilita a inserção em escolas que remuneram bem. Um professor pode ganhar 3 mil reais, ensinando da 5ª à 8ª série; 4 mil reais no 1º e 2º ano; e 6 mil reais no 3º ano. Ou seja, podem obter remuneração compatível com outras profissões, desde que seu desempenho seja diferenciado.
 
Para ser professor da Educação Infantil e do Ensino Fundamental 1, a qualificação mínima proposta pelo MEC é o ensino médio completo. No entanto, as escolas particulares investem na contratação dos graduados e pós-graduados porque é a ultrapassagem desse pré-requisito que confere a diferença. Do mesmo modo que eleva os salários. O que não acontece com aqueles que optam pela Educação Infantil apenas por ser menos exigente a formação.

Os docentes possuem um papel decisivo nos processos de mudança.  Do preparo dos educadores depende o desenvolvimento da capacidade das crianças e dos jovens pensarem de modo criativo e como cidadãos. Competência profissional é o grande desafio.


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