O reuso de software é o uso de software existente para o desenvolvimento de novo software. No reuso de software duas decisões estão envolvidas. A primeira é se devemos, ou não, adquirir software para reusar. Sistemas operacionais devem ser comprados, bibliotecas de códigos devem ser desenvolvidas, ou compradas, arquiteturas de domínio específico para famílias de produtos devem ser produzidas. Se o software a ser reusado já é possuído como resultado de outra atividade, esta decisão é desnecessária.
A segunda decisão é se devemos, ou não, reusar software em instâncias particulares. A questão é: o desenvolvedor deve escrever uma rotina, ou deve buscá-la na Internet? Justamente pelo fato de que o processo de reuso de software envolve encontrar software, entender como reusá-lo, e talvez, modificá-lo antes de ser de fato reusado, pode ser mais atrativo para redesenvolver.
Algumas vezes estas decisões são simples. Muitas formas de reuso de software não são comumente denominadas de “reuso”; elas são práticas padrões já que não há alternativa real. No entanto, algumas decisões são menos simples, ou diretas, e requerem análise apropriada antes delas serem tomadas.
Os modelos econômicos de reuso podem ajudar na tomada de decisões relacionadas ao investimento em reuso. Estas decisões envolvem questões sobre se deve, ou não, investir em reuso, se se deve investir em um tipo de reuso ou outro, e se se deve desconsiderar reuso e investir em outra coisa. Estes modelos objetivam capturar custos e benefícios de reuso numa simples formulação matemática.
Seu principal uso é apresentar os benefícios líquidos estimados de um potencial investimento em reuso. Entretanto, pelo fato de que as poupanças de reuso podem ser difíceis de determinar mesmo depois que o reuso tenha sido adotado, um outro uso de modelos econômicos é estimar os benefícios líquidos devido ao reuso depois do evento, ou seja, depois de sua adoção.
É necessário também que se faça distinção entre modelos econômicos de reuso e métricas de reuso. Um modelo econômico é geralmente usado para determinar alguma propriedade financeira do reuso (por exemplo, economias de custo ou uma taxa de lucratividade). Uma métrica de reuso geralmente mede a quantidade de reuso em um sistema, ou algum outro aspecto do reuso, tais como o valor adicionado relativo de produzir software por reuso internamente ou externamente.
As literaturas acadêmica e profissional acerca dos modelos econômicos de reuso ainda não são vastas, mas os poucos trabalhos existentes já permitem visualizar as principais diferenças entre os modelos existentes, ou seja, seus escopos e visões. Um aspecto importante a assinalar diz respeito à validação dos modelos. A precisão dos resultados de um modelo econômico de reuso está diretamente relacionada com a qualidade dos dados que são incorporados ao modelo.
Logo, a disponibilidade de dados confiáveis é uma condição necessária para a aplicação de um modelo econômico. E a única maneira de saber se um modelo econômico está correto é começar a usá-lo, validá-lo contra dados reais e canalizá-los para a organização de características específicas.
Voltaremos a comentar mais sobre os modelos econômicos de reuso de software.