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Ondas sonoras

Melancolia, jazz, hip hop, pop…
Publicado em 30.07.2007, às 10h08

TONINHO SPESSOTO é jornalista, radialista e produtor musical

Galeria de fotos

RUFUS WAINWRIGHT
Release The Stars
Geffen/Arsenal/Universal

Máximas de um cantador

O cantor e compositor canadense Rufus Wainwright poderia ser definido tranquilamente como um crossover entre Bob Dylan e Joan Baez. Trovador na essência, traz em suas canções temas que oscilam entre desilusões amorosas, solidão, questionamentos sobre a vida e críticas político-sociais. O novo CD não foge à regra.

Com melodias densas e letras por vezes atormentadas, Rufus faz um trabalho inteligente, que nem de longe resvala na chatice das mensagens pseudo-profundas – e, via de regra, chatíssimas – dos ‘emos’.

Release The Stars traz grandes canções, todas de autoria do artista, entre elas "Going To a Town", "Do I Disappoint You", "Between My Legs" e a faixa-título. O álbum, gravado entre Nova York, Berlim e Londres, tem produção executiva de Neil Tennant, dos Pet Shop Boys.

BLUES ETÍLICOS
Viva Muddy Waters
Delira Blues/Delira Música

Honrarias a um mestre do blues

O grupo carioca Blues Etílicos comemora duas décadas de carreira e lança seu décimo disco, homenageando um dos maiores nomes do gênero: Muddy Waters. Greg Wilson (voz, guitarra), Flávio Guimarães (voz, gaita), Otávio Rocha (slide guitar), Cláudio Bedran (baixo) e Pedro Strasser (bateria) trazem no repertório do CD somente canções imortalizadas pelo ‘homem das águas barrentas’. Entre elas, "Walking Blues", "I Want To Be Loved", "Good Morning Little School Girl", "Diamonds At Her Feet" e "She’s Nineteen Years Old", esta com participação de André Christovam ao violão. Blues de qualidade, feito por quem conhece o assunto. Este álbum inaugura o selo Delira Blues, ligado à gravadora Delira Música.

ORISHAS
Antidiotico
Surco/Universal

Revolução cubana

O trio Orishas – Roldan, Yotuel e Ruzzo Feroz – moderniza a canção tradicional cubana acrescendo beats eletrônicos e pitadas de hip hop às guajiras, "sons" e milongas. O resultado é um som absolutamente inovador e tão contagiante e sensual quanto o que se originou há décadas na ilha de Fidel.

As mensagens, na maioria de cunho social, pregam novos tempos para o povo cubano. Esta coletânea traz o melhor dos Orishas, com grandes canções como "5, 3, 7 Cuba" (calcada assumidamente no clássico "Chan Chan", do inesquecível Compay Segundo, citado várias vezes na letra), "Naci Orishas", "El Kilo", "A Lo Cubano" e "Connexion".

Em "Represent, Cuba", o trio divide vocais com a cantora e atriz Heather Headley, popularíssima nos Estados Unidos por estrelar os musicais ‘The Lion King’ e ‘Aida’ na Broadway. O CD traz duas inéditas: "Hay Un Son" e "Una Pagina Doblada", ambas gravadas em fevereiro último. Discaço!

ENRIQUE IGLESIAS
Insomniac
Interscope/Arsenal/Universal

Talento não é hereditário…

Ninguém pode negar que Julio Iglesias tem a habilidade de gravar discos emocionalmente ganchudos, com melodias que grudam no ouvido. Invariavelmente, em algum momento da vida todo mundo vai se ver às voltas com uma canção na voz do espanhol emoldurando lembranças, sejam elas boas ou más…

A competência para o sucesso não foi herdada por nenhum dos filhos de Iglesias que enveredaram pela música. Julio Jr. não conseguiu lá muita coisa em termos de sucesso, muito menos Javier. O que mais se aproximou disso foi Enrique Iglesias, mas com resultados pouco animadores.

O novo disco do cantor é recheado de loops e hip hop, nada muito empolgante. A voz de Enrique soa pastosa, cheia de gemidos, e as canções não colam. Em alguns momentos parece álbum dos Backstreet Boys, o que soa totalmente inadequado à origem de Enrique. Entre as canções, "Ring My Bells", "Miss You", "Dímelo" e "Don’t You Forget About Me" (nada a ver com o clássico do Simple Minds). O título do CD pode ser traduzido como algo próximo de ‘insone’. Mas o efeito é justamente o oposto…


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