De origem européia, a quadrilha é uma dança cujos registros originários da Normandia e da Inglaterra se perderam no tempo. O conjunto de danças palacianas aristocráticas que se espalhou pela Europa nos séculos 18 e 19 foi legado pelos portugueses. O que compreende-se como quadrilha chegou com o nome de pas de dance, contradança de salão da corte francesa. O vocábulo quadrilha vem do francês quadrille e se origina do italiano squadro que, por sua vez, significa companhia de soldados dispostos em quadrado.
QUADRILHA JUNINA RECRIADA
Saindo da corte para os salões das provínciais, a evolução da quadrilha no Brasil se deu com sua popularização. Aos poucos, essa dança foi perdendo o ar aristocrático, chegando às ruas e aos clubes populares e, finalmente, atingindo a região rural. A polca e a mazurca foram substituídas pelos ritmos nordestinos - xote, xaxado, baião, marcha junina -, constituindo-se no gênero forró. A dança voltou-se, basicamente, para o Ciclo Junino, dançada inclusive nas festas de casamento, quando os cortejos desfilavam pelas ruas após a celebração da cerimônia. As vestes abandonam os veludos e as sedas dão lugar ao colorido das chitas, fitas e chapéus de palha.
QUADRILHA JUNINA ESTILIZADA
A quadrilha matuta fica conhecida como tradicional e ocupa espaço nos meios urbanos. Reproduz as vestes e os trejeitos do homem rural e associa o casamento matuto como representação dramática. Segundo o pesquisador Roberto Benjamin, vai se transformando em um folguedo de natureza complexa. Naturalmente, o processo de urbanização da dança trouxe novas tendências. Os instrumentos antes utilizados (zabumba, triângulo e sanfona) foram substituídos por eletrônicos, os requebros tornam-se mais livres e sensuais. As vestes vão rever veludos, sedas e modelos do tempo do império.
QUADRILHA JUNINA MATUTA
O que ficou conhecido como estilizado dá lugar ao recriado, que assume cada vez mais as tendências urbanas e as novas linguagens artísticas. A quadrilha assume o papel de espetáculo de dança e teatro. A presença do tema, como ponte forte do espetáculo, ao contrário de distanciar o brinquedo das suas origens, é um momento de retorno, em que os grupos se voltam para a pesquisa de traços da cultura popular nordestina. Revisitam os elementos que compõem o ciclo junino, prestam homenagens aos personagens da nossa história e representam de um modo novo e por meio da arte, a percepção do universo em que vivemos.
Texto extraído do livro São João - Manifestação de Fé, Celebração da Alegria (Carmem Lélis)