Thiago Lúcio
Do JC OnLine
L.B.S, 38 anos, passará o Dia das Mães junto com o filho, que ainda está em seu ventre e nascerá somente no mês de junho. Mas esse dia tão especial será vivido de uma forma diferente: de dentro da Colônia Penal Feminina do Recife (CPFR). L.B.S é reeducanda da unidade, localizada no bairro do Engenho do Meio, Zona Oeste da cidade. Ela e outras cerca de 420 mulheres, mais da metade delas mães, passarão o segundo domingo de maio na Colônia, mais conhecida como Bom Pastor. Embora a unidade esteja com sua capacidade mais do que esgotada (150 é o limite), essas mães fazem de tudo para estar ao lado dos seus filhos, mesmo que por pouco tempo e em situações muitas vezes desagradáveis - em celas com muito barulho e com o cheiro sufocante de fumaça de cigarro, já que quase 100% delas fumam. Durante os encontros permitidos, as detentas procuram dar conselhos aos filhos para mantê-los afastados do crime e torcem para que eles tenham um destino melhor do que o delas.
As visitas à unidade são realizadas sempre aos domingos. Pelo menos a cada 15 dias, L.B.S conversa pessoalmente com os seis filhos, que também entram em contato por carta e telefone. "Eles sempre perguntam: 'Mainha, a senhora não vai para casa dormir com a gente não?'. E eu digo: 'Não, mainha está trabalhando, só larga de mês em mês'", conta a reeducanda, que está na Colônia desde 2005 por furto qualificado (artigo 155 do Código Penal). A pena para este crime é reclusão de 1 a 4 anos.
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SAIBA MAIS
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O termo reeducando é utilizado não apenas pelos psicólogos e assistentes sociais da Colônia Penal Feminina do Recife (CPFR), mas por todos os técnicos do sistema penitenciário brasileiro. É uma forma de trabalhar a questão da ressocialização e não estigmatizar todas as pessoas que estão presas.
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Já a detenta J.A.B, 25 anos, há dois meses na Colônia, tem uma história um pouco diferente da de L.B.S. Presa este ano por roubo (artigo 157 do Código Penal), ela foi mãe fora da unidade e hoje tem uma filha de 8 anos, que a visita todos os domingos. "Sempre converso com ela para seguir outro caminho. Não o caminho que eu tomei, esse caminho errado". A pena para esse tipo de crime é de 4 a 10 anos de prisão. De dentro da Colônia, J.A.B sempre procura dar conselhos à filha, com quem diz ter uma relação muito amigável. "Sempre peço desculpa pelo erro que cometi, o que a influencia muito. Ela não quer que as amigas saibam que a mãe é uma presidiária. Quando eu sair daqui vou fazer qualquer coisa, menos entrar para o mundo do crime", afirma.
SEPARAÇÃO - Quem também já teve a experiência de ter um bebê durante o período de estadia na unidade foi J.F.S, 29 anos, que chegou ao local com cinco meses de gestação. Presa em 2004 também por roubo, há menos de um mês ela foi encaminhada ao Hospital Barão de Lucena, onde deu à luz o quinto filho. "A experiência está sendo boa porque ele está comigo. Vai ser mais difícil quando ele for embora", conta. As mães que estão na Colônia Penal podem ficar com os filhos recém-nascidos por até dois meses. Os partos são realizados em hospitais da rede pública de saúde. "Por conta da insalubridade e da superlotação da unidade, não há condições dessas crianças permanecerem aqui por mais tempo", explica Ana Moura, diretora executiva da Colônia Penal. "Eu queria ficar com ele até quando eu fosse embora, mas não pode", lamenta J.F.S. Os seus outros quatro filhos moram com a avó em Limoeiro, no Agreste do Estado, e sempre conversam com a mãe pelo telefone, além de visitá-la regularmente. "Não tem como eles virem toda semana. Eles vêm de mês em mês. Espero sair daqui para mudar minha vida e terminar de criá-los".
Embora as reeducandas da unidade só possam ficar atualmente com os filhos recém-nascidos por até dois meses, Ana Moura garante que isso logo vai mudar. Ainda este ano, segundo ela, a unidade ganhará um berçário como parte do Projeto Neon, que possibilitará a permanência dos bebês por um período maior, que vai variar de acordo com a fase de amamentação. "O bebê vai permanecer na Colônia até a mãe não ter mais leite no peito", assegura a diretora. Segundo ela, o berçário está avaliado em R$ 150 mil e será mobiliado com berços, colchões, cortinados e enxovais, possibilitando o afastamento das crianças do pavilhão. "Aí sim a gente vai concordar que essas crianças fiquem aqui". O Projeto Neon é um convênio firmado entre o Estado e várias empresas do País.