Pesquisadores
Encontradas gravuras rupestres de 10 mil anos em São Paulo Publicado em 30.01.2007, às 08h57
Uma equipe de pesquisadores encontrou um sítio arqueológico com gravuras rupestres e antigos objetos em uma gruta natural na fazenda São Bento, em Bragança Paulista, a cerca de 80 quilômetros de São Paulo. É a 17º descoberta do tipo no Estado e acredita-se, a mais antiga.
Análises vão determinar quando as gravuras foram feitas e de que período são as ferramentas e objetos encontrados no local, através de testes de Carbono 14. Paulo Zanettini, coordenador da investigação, acredita que o sítio possa ter até 10 mil anos. No local também foram identificados vestígios de pintura rupestre com uma espécie de tinta vermelha.
NÔMADES - De acordo com Zanettini, assim como nos demais sítios paulistas espalhados em 12 cidades do interior, a gruta de Bragança provavelmente foi utilizada por grupos nômades de caçadores e coletores de alimentos. Batizada de Toca da Paineira, a gruta é uma formação de granito que pode ter servido como abrigo e posto de vigilância, já que oferece total visibilidade de uma grande planície.
“Já fizemos uma sondagem entre os moradores da região e descobrimos que existem pelo menos mais duas formações como a Toca da Paineira nas mesmas condições de visibilidade na região. Precisamos determinar se esses locais contêm objetos arqueológicos também”, observa Zanettini.
DESENHO PRÉ-HISTÓRICO - A maior gravura, escavada com instrumentos feitos de pedras levadas de outros locais para a gruta, tem 5 metros de altura e 3,5 metros de largura. Contém uma série de pequenos buracos simétricos escavados em um bloco de granito, além de algumas linhas, curvas e círculos que formam desenhos desconexos. O significado dos desenhos é um mistério e pode permanecer assim. “Qualquer interpretação que fizermos será uma atitude subjetiva de algo que não conseguimos entender. É como olhar para as nuvens e interpretar o que se está vendo”, diz Zanettini. Para a pesquisa arqueológica, a falta de interpretação não é um fator determinante. O objetivo é a constatação da utilização do local e a preservação da história.
EMPRESA ARQUEOLÓGICA - Os restos arqueológicos na Toca da Paineira foram descobertos durante estudos feitos pela empresa de arqueologia de Zanettini, iniciados em junho do ano passado para a exploração de mineração de granito preto, minério muito utilizado na construção de túmulos. A legislação ambiental determina que todas as obras com efetiva interferência no ambiente sejam avaliadas por empresas de arqueologia. A mineração não vai afetar a gruta, já que a área destinada para a extração mineral fica a cerca de 1 quilômetro do sítio arqueológico.
Deve demorar pelo menos um ano até que todo o material seja retirado, catalogado, estudado, destinado para museus ou preservado no mesmo local.
Há alguns anos duas Igrejas evangélicas de Bragança Paulista utilizavam a Toca da Paineira para realizar cultos. A prática foi proibida pelo proprietário da fazenda, o empresário Marcos da Silva Pinto, de 51 anos. “O local começou a ser depredado”, afirma Pinto, que também utilizava o local nos finais de semana para descansar apreciando a vista.
“Sempre vimos esses desenhos mas nunca imaginamos que tinha algum valor histórico”, disse o empresário, que pretende criar um espaço de turismo histórico. Marcos da Silva Pinto também quer criar um espaço de estudos para crianças no novo sítio arqueológico.
CANOAS INDÍGENAS - Os pesquisadores do sítio de Bragança Paulista buscam financiamentos para ampliar as pesquisas na região. Além de procurar mais vestígios de atividade pré-histórica na área, as investigações devem levar em conta a descoberta de uma canoa feita de um só tronco de árvore escavado, um objeto conhecido como monóxila.
O pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Gilson Rambelli, participou dos estudos iniciais, que pararam por falta de verba.
Segundo Rambelli, o objeto foi embalado em uma tela de náilon e levado para um local do rio com pouca correnteza, seguindo critérios internacionais de conservação.
É a segunda canoa desse tipo encontrada no rio. A primeira, descoberta em 1998, está exposta no Museu de Bragança Paulista. Foi confeccionada, segundo testes do Carbono 14, há 250 anos e utilizada por indígenas.
Fonte: Agência Estado
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