Colocar em pauta a discussão sobre direitos humanos é o objetivo da primeira Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Promovido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, o evento visa reafirmar, por meio da arte, as liberdades fundamentais do ser humano, sem distinção de raça, sexo ou religião.
Com caráter não-competitivo, a mostra ocorre entre os dias 1º e 17 de dezembro em quatro capitais: Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Recife (PE). Ao todo, serão exibidos 28 filmes brasileiros e de mais nove países sul-americanos - a maior parte documentários, selecionados pelo curador Amir Labaki.
O evento tem patrocínio da Petrobras, além da parceria do Ministério das Relações Exteriores, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e do Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP). Os realizadores ainda estão recebendo curta-metragens para serem exibidos no início das sessões.
A primeira capital a receber a mostra foi São Paulo, onde os filmes estão sendo veiculados desde o dia 1º e até 10 de dezembro. Em Brasília, a mostra está sendo realizada desde o dia 5 até 11. No Rio de Janeiro, as exibições são de 7 a 13 de dezembro, e no Recife, de deste domingo (10) até o dia 17. A entrada é gratuita.
Os filmes, todos inéditos comercialmente no Brasil e produzidos desde janeiro de 2003, têm como foco a questão dos direitos humanos em toda a sua abrangência. Histórias de marginalizados, sem-terra, moradores de rua, idosos, homossexuais e desempregados, dentre outras, serão exibidas na mostra. Dentre os longa-metragens, 10 são brasileiros e tratam de temas que variam da ditadura militar à questão indígena.
A idéia do governo é fazer edições anuais da mostra. Na avaliação do ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, esse tipo de evento é importante para dar visibilidade ao tema. “Por meio do cinema, o público pode se livrar da idéia errônea de que falar em direitos humanos significa defender bandidos”.
Além dos filmes, em cada uma das cidades haverá um debate com Vannuchi, autoridades e militantes da área. “Queremos usar a cultura para promover uma ampla discussão sobre a defesa do cidadão e o combate a todos os tipos de exclusão”, diz o ministro.
Em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, está previsto um show no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Comandada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, a apresentação contará com a participação de núcleos de rap e da Orquestra Sinfônica da Petrobras.
Em Brasília, a abertura ocorrerá em uma cerimônia para convidados no Palácio do Itamaraty e coincidirá com o início da 6ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul. Nos dias 5 e 6, representantes dos países membros do bloco vão trocar experiências bem-sucedidas e analisar questões relativas à promoção dos direitos humanos na região.
Em algumas sessões, haverá a distribuição prévia de ingressos para o público retratado nos filmes. "Em São Paulo, por exemplo, ocorrerá uma exibição a meninos de rua amparados pela Pastoral dos Menores", acrescenta Marília Andrade, assessora especial da Secretaria de Direitos Humanos e coordenadora da mostra. “Essa é uma iniciativa importante para que a mostra também chegue a essa parcela da população”.
Quem perder a mostra poderá ter mais uma chance de ver os filmes. Segundo Vannuchi, a Radiobrás se comprometeu a veicular os longa-metragens em 2007 nas televisões públicas de todo o Brasil. “A exibição na tevê, na verdade, só depende da vontade dos diretores de cada filme”.
Mais informações sobre a seleção de filmes e a programação do evento podem ser obtidas pelo site www.cinedireitoshumanos.org.br.
Confira a programação no Recife:
Domingo, 10
15h: El astuto mono Pinochet contra la moneda de los cerdos (Chile, 2004). De Bettina Perut e Iván Osnovikoff. Por meio de processos de criação coletiva, dez grupos de crianças e jovens chilenos põem em cena os fatos que cercaram o golpe de Estado de 1973, no Chile. 72’. Livre.
17h: Pajaquaype (Paraguai, 2005). De Billy Rosales. O século 21 encontra o Paraguay como um país sem turbulências em sua história. Uma terra de cores: mestiços, indígenas silvícolas, indígenas urbanos, orientais, germânicos, rurais... seres diversos coincidindo num ambiente comum: a antiga cidade dos Payaguá: Payaguaýpe. 7’25
Uma cidade, duas vidas, dois tempos (Brasil, 2005). De Sergio Sanches e Carlos Eduardo Nunes Pereira. Imagem da cidade de Ouro Preto em dois tempos diferentes: no final dos anos 60 e hoje. 5’
Tchau, pai (Brasil, 2005). De Ricardo E. Machado. Separados pelo vão e pelas grades, pai e filha acenam-se amorosamente. 2’21
Bolivia, el carnaval del Oruro (Bolívia/México, 2004). De Enrique Aguilar M.. Documentário sobre a festa boliviana de iniciação indígena conhecida como Anata, celebração pagã que busca se sustentar em meio ao fantástico e multicolorido Carnaval de Oruro. 54’
19h: Abertura oficial precedida de coquetel, com sessão de O homem invisível (Brasil, 2006).
Segunda, 11
15h: O amendoim da cutia (Brasil, 2005). De Komoi e Patuni Panara. A colheita do amendoim no cotidiano da aldeia Panará apresentada por um jovem professor, uma mulher pajé e o chefe da aldeia. 51’
17h: O homem invisível (Brasil, 2006). De Andréa Velloso. A invisibilidade pública é apresentada por quatro personagens garis e um psicólogo que trabalhou por 11 anos como varredor de rua para desenvolver um livro. 52’
18h: Debate "Gari tem cara?" com Andréa Velloso. Participam Vincent Carelli (diretor do projeto Vídeo nas Aldeias), Neusa Barbosa (Cineweb e agência Reuters) e Luiz Joaquim (co-programador do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco).
21h: Las sabanas de Norberto (Argentina, 2003). De Hernán Khourian. Norberto vive em um hospital público desde criança, quando foi afetado pela poliomielite, que lhe causou cegueira e dificuldades respiratórias. 46’
Terça, 12
(na sala João Cardoso Ayres)
15h: El astuto mono Pinochet contra la moneda de los cerdos (2ª exibição)
17h: Direitos de resposta (Brasil, 2006). Série de 30 programas veiculados originalmente na Rede TV!, entre dezembro de 2005 e janeiro de 2006, produzida por seis ONGs e pelo Ministério Público Federal, em função das constantes ofensas aos direitos humanos exibidas pelo programa Tarde quente, apresentado por João Kleber. 9’24
Pajaquaype (2ª exibição)
Uma cidade, duas vidas, dois tempos (2ª exibição)
Tchau, pai (2ª exibição)
Bolivia, el carnaval del Oruro (2ª exibição)
19h: Perspecplejia (Chile, 2005). De David Albala. Processo de reabilitação do diretor David Albala, que ficou paraplégico ao ser atropelado por um carro. 98’
21h: Hotel Gondolin (Argentina, 2005). De Fernando López Escrivá. Documentário sobre os hábitos e a vida de uma comunidade de travestis alojados em um hotel em Buenos Aires. 52’
Quarta, 13
(na sala João Cardoso Ayres)
15h: Correntes (Brasil, 2005). De Caio Cavechini e Ivan Paganotti. Trajetórias de trabalhadores do Norte e Nordeste do Brasil inspiram ações dos mais diversos ativistas no combate ao trabalho escravo contemporâneo. 58’
17h: Cavallo entre rejas (Argentina/México, 2006). De Shula Erenberg, Laura Imperiale, Maria Inés Roque. O filme conta a história de Ricardo Miguel Cavallo, torturador da marinha e cúmplice da ditadura argentina.
19h: War takes (Colômbia/Inglaterra, 2002). De Adelaide Trujillo e Patricia Castaño. Três diretores colombianos voltam suas câmeras para expor a dura realidade de seu país, destruído pela guerra.
21h: Trelew (Argentina, 2004). De Mariana Arruti. Prisão de segurança máxima de Rawson, Patagônia, Argentina. Uma centena de presos políticos foge da cadeia e alguns conseguem alcançar o aeroporto de Trelew, a porta de escape ao Chile socialista. 98’
Quinta, 14
15h: Lo que me diga la vida (Uruguai, 2006). De Isabel Alvarez. O filme acompanha um grupo de seis adolescentes durante três meses de suas férias de verão nas redondezas de Montevidéu. 64’
17h: (Sessão especial para deficientes visuais) Conquista (Brasil, 2006). De Flávia Vilela e Felipe Hansen Hutter. 12 camponeses de Santa Catarina mostram seu cotidiano, seus sonhos e obstáculos.
19h: La primera noche (Colômbia, 2003). De Luis Alberto Restrepo. Na Colômbia, nos últimos 15 anos, dois milhões de trabalhadores rurais foram brutalmente expulsos de suas terras; a maioria deles foi viver nas grandes cidades, em condições lamentáveis. 90’
21h: Fala mulher! (Brasil, 2005) De Graciela Rodriguez e Kika Nicolela. São Paulo, 2003. 15 mulheres afro-descendentes apresentam suas vidas. São manicures, domésticas, secretárias, cabeleireiras, cozinheiras, professoras. 80’
Sexta, 15
(na sala João Cardoso Ayres)
15h: Historia chiquita que cruza un océano (Uruguai/ Espanha, 2004). De Sesi Bergeret. Em 1972, durante a ditadura militar no Uruguai, um jovem casal decide sair do país. Uma viagem de fim de carreira ao redor do mundo, na qual eles decidem ficar temporariamente. 45’
17h: The real thing: Coca, democracia y rebelión en Bolivia (Bolívia, 2004). De Jim Sanders. Documentário-guerrilha que investiga a guerra às drogas americana e o impacto que ela tem tido na vida dos bolivianos, especialmente na dos indígenas cultivadores da folha de coca. 92’
19h: Ilhas urbanas (Brasil, 2005). De Flavia Seligman. Documentário aborda alternativas de moradia e trabalho para ex-internos de instituições psiquiátricas na cidade de Porto Alegre, que não a hospitalização e o confinamento. 41’
21h: Cerca de las nubes (Uruguai, 2005). De Aldo Garay. Retrato da vida simples e humilde de um grupo de pessoas que vive em Quebracho, um pequeno povoado rural no nordeste do Uruguai, perto da fronteira com o Brasil. 74’
Sábado 16
(na Sala João Cardoso Ayres)
15h: Jose Marti, ese soy yo (Venezuela, 2005). De Edmundo Aray. Homem de múltipla dimensão, Ismaelillo é maestro, jornalista, poeta, bolivariano, apóstole, libertador. 90’
17h: Cerca de las nubes (2ª exibição)
19h: El viejo y Jesus: profetas de la rebelión (Venezuela, 2005). De Cooperativa Calle y Media. A vida de dois homens nas ruas de Caracas em meio a uma ofensiva fascista que tenta refrear o processo revolucionário venezuelano. 70’
21h: Estado de miedo (USA/Peru, 2005). De Pamela Yates. Baseado no trabalho da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru, revela o custo humano e social para que um país se lance em uma guerra contra o terrorismo. 94’
Domingo, 17
(na Sala João Cardoso Ayres)
15h: Direitos de resposta (2ª exibição)
Pajaquaype (2ª exibição)
Uma cidade, duas vidas, dois tempos (3ª exibição)
Tchau, pai (3ª exibição)
Bolivia, el carnaval del Oruro (3ª exibição)
17h: Ilhas urbanas (2ª exibição)
19h: Estado de miedo (USA/Peru, 2005). De Pamela Yates. 94’
21h: El comite (Equador, 2005). De Mateo Herrera. O dia-a-dia dentro do presídio Garcia Moreno, a principal penitenciária de Quito, que se tornou símbolo de "modernidade". Em um dia de visitas, ocorre uma greve na qual 370 pessoas são tomadas como reféns. 93’
SERVIÇO:
Fundação Joaquim Nabuco
Avenida Dezessete de Agosto, 2.187
Telefone: (81) 3073-6363