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Prêmio

Fiocruz é a melhor instituição de saúde pública do mundo
Publicado em 25.08.2006, às 17h58

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu hoje (25), durante o 11º Congresso Mundial de Saúde Pública e o 8º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o prêmio de melhor instituição do mundo em saúde pública. A escolha foi feita pela Federação Mundial das Associações de Saúde Pública, uma organização não-governamental (ONG) internacional que reúne cerca de 70 associações nacionais de todo o mundo.

 De acordo com o presidente da Fiocruz, o sanitarista Paulo Buss, o destaque é resultado de uma história de 106 anos dedicados à pesquisa.

 “Tivemos a virtude de ser enxergados pela federação e por outras instituições por causa do nosso trabalho na área da pesquisa, que resulta em um ensino de muito boa qualidade e em inovações nas áreas de medicamentos, vacinas, kits diagnóstico e também pelo desenvolvimento de ferramentas de controle de doenças e de melhoria da administração hospitalar”, afirmou o sanitarista.

 A Fiocruz produziu, no ano passado, mais de dois bilhões de medicamentos essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS), que os fornece às camadas mais carentes da população. Em 2005, produziu também 68 milhões de doses de vacinas em 2005.

A instituição fabrica oito dos 16 remédios do coquetel contra a aids, que é distribuído pela rede pública de saúde brasileira e utilizado por mais de 100 mil pacientes. Além disso, oferece, anualmente, mais de 16 mil vagas, do nível médio à pós-graduação, para alunos de todo Brasil. A Fiocruz produziu três milhões de reativos usados em diagnóstico de doenças em 2005 e realiza, anualmente, cerca de 70 mil atendimentos, contando com 61 laboratórios e centros de referência.

 Paulo Buss também recebeu, no início da semana, prêmio da Federação Mundial das Associações de Saúde Pública  por sua contribuição individual ao desenvolvimento da saúde coletiva. Presidente da Fiocruz desde 2001, Buss tem diversos artigos e capítulos de livros publicados em todo o mundo. Ele foi diretor da Escola Nacional de Saúde Pública.

 “A minha premiação individual tem muito menos importância do que a da Fiocruz. Eu sou um professor e pesquisador que procura fazer bem o seu trabalho. Claro que eu fico muito feliz, mas acho que é a minha geração que está ganhando esse prêmio, e não eu individualmente”, disse ele.

Ainda durante o Congresso, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) entregou o prêmio Gente que Faz Saúde ao sanitarista Hésio Cordeiro, que teve papel importante na criação do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e na formatação do SUS. O mesmo prêmio foi dado ao também sanitarista Nelson Rodrigues Santos, professor da Unicamp e ex-secretário executivo do Conselho Nacional de Saúde, órgão consultivo do SUS. 

Outra premiada, a escritora e ativista Clara Charf, tem papel relevante na luta pela paz e, de acordo com a Opas, quem trabalha pela paz, trabalha pela saúde. Aos 80 anos, Clara é viúva do guerrilheiro Carlos Marighella, assassinado durante a ditadura militar em 1969. Viveu exilada durante nove anos e é hoje membro do Conselho Nacional de Direitos da Mulher e da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Ela coordenou a campanha 1.000 Mulheres pela Paz, que indicou mil mulheres de diversas nacionalidades que lutam pela construção de uma cultura de paz ao Prêmio Nobel da Paz 2005.

“Acho que minha premiação tem a ver com essa concepção de que a saúde abrange não só a saúde do corpo, mas da mente, a possibilidade de uma pessoa ter casa para morar, ter condição de estudar, de viver, de atravessar a rua sem medo da violência e de qualquer tipo de agressão”, afirmou Clara.

O 11º Congresso Mundial de Saúde Pública e 8º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva foram encerrados hoje no Rio.

Fonte: Agência Brasil


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