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Seminário

Empresas de TI terão investimentos para pesquisa
Publicado em 21.08.2006, às 14h57

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» Educação é sinônimo de crescimento na Índia

Isabelle Figueirôa
Do JC OnLine

As relações que podem ser concretizadas entre o Brasil e a Índia e as
possibilidades de competição do Brasil no setor de Tecnologia da Informação (TI) foram alguns dos pontos discutidos no Seminário Internacional Brasil-Índia de Tecnologia da Informação realizado na manhã desta segunda-feira (21), no Mar Hotel, em Boa Viagem. O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, divulgou o lançamento de três editais no valor de R$ 500 milhões para contratar mestres e doutores em TI (R$ 50 mil), distribuir recursos para parceiros locais (R$ 150 milhões) e instalar política industrial com subvenção para empresas (R$ 300 mil), recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Tecnológico.

De acordo com o ministro, os editais serão lançados no dia 31 de agosto. Desta forma, o governo vai "doar" às empresas recursos para que elas pesquisem sobre determinadas áreas encomendadas. Serão sete áreas, com prioridade para a TV Digital. "Vamos pagar para que essas empresas produzam conversores e transmissores que iremos precisar", afirmou. As empresas que podem se candidatar não precisam ser nacionais e estarão submetidas à análise de alguns critérios como experiência e tema de atuação. O julgamento das empresas será em dois meses, devendo os contratos ser assinados em novembro. Segundo Resende, "os países desenvolvidos fazem isso há muito tempo e no Brasil essa relação só era feita entre Universidades e entidades".

O secretário de Planejamento de Pernambuco, Cláudio Marinho, disse que, enquanto a Índia exporta em escala de dezenas de bilhões de dólares em TI, o Brasil chega à casa de centenas de milhões de dólares. No entanto "o erro do Brasil foi tático e não estratégico", disse, já que "decidimos dar suporte à consolidação da indústria emergente de software" e não focalizar o mercado externo. Já o governador Mendonça Filho disse que a sigla BRIC (iniciais dos países emergentes: Brasil, Rússias, Índia e China) ainda está faltando o "B" do Brasil. Para isso acontecer, ele elencou alguns obstáculos como déficit público, grande carga tributária e regras mais estáveis para garantir um ambiente favorável ao investimento.

"A janela da oportunidade não fica aberta para sempre", declarou o diretor do Banco Mundial e doutor em economia pela Universidade de Chicago (EUA), Vinod Thomas, referindo-se ao ambiente propício para que o Brasil invista mais em TI. Ele atribuiu ao endividamento, à desigualdade social e à (falta de) qualidade dos gastos públicos o fato de o Brasil não ter acompanhado o crescimento da Índia, uma das 10 principais economias do mundo. Segundo Vinod, a Índia tem um enfoque maior em estratégias globais, enquanto o Brasil se volta ao mercado doméstico. Para Pernambuco, que vem crescendo mais do que o Brasil nos últimos cinco anos, o doutor indicou que o desenvolvimento deve ser "holístico", ou seja, em todas as esferas: recursos humanos, infra-estrutura e arte, cultura e ecoturismo.

PORTO DIGITAL - Na oportunidade, o painel brasileiro foi discutido entre os conferencistas Valério Veloso, presidente do Porto Digital, Sérgio Cavalcante, presidente do instituto de pesquisa Cesar e Geraldo Feitosa, presidente do Instituto Nokia de Tecnologia (INdT). Veloso afirmou que "o mundo cresce sustentado por software". Apesar de o mercado de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) no Brasil crescer continuamente há 25 anos, o presidente do Porto Digital axplicou que a ausência de política industrial focada em TI e a baixa capacidade de marketing são alguns dos gargalos da indústria de TIC no País.

Para atingir o desafio de ser o melhor lugar da América Latina para investimentos na área, o Porto Digital pretende chegar a 10% do PIB pernambucano em 2015. A partir dessa análise, Veloso pretende receber R$ 300 milhões do BNDES para ter um faturamento de US$ 2 bilhões, com 200 empresas instaladas e 20 mil empregos. Atualmente, o Porto Digital, instalado no bairro do Recife, engloba 110 empresas, 85% concentradas na Região Metropolitana, empregando 8.200 pessoas.

O Seminario Internacional em Tecnologia da Informação Índia Brasil é promovido pela Fundação Gilberto Freyre e Porto Digital com o apoio do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. O evento segue à tarde, quando será exibido o painel Índia, com representantes da embaixada do país no Brasil e de empresas de TI indianas.


PROGRAMAÇÃO:

14h30 Painel Índia
Shri Swaminathan – Embaixada da Índia
Hormuzd Karkaria – TATA Consultancy Services
Vishwas Mahajan – Compulink Group

16h45 Perguntas e Respostas
17h10 Encerramento


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