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Insegurança

Dezenove turistas assaltados no Rio de Janeiro
Publicado em 17.08.2006, às 20h15

Dezenove turistas estrangeiros foram assaltados em um período de 13 horas, entre a tarde de ontem (16) e o início desta manhã, em dois pontos turísticos da cidade do Rio: a Escadaria da Lapa, no centro, e a Praia de Copacabana, na zona sul carioca. Os ladrões levaram, ao todo, quatro câmeras digitais, dois celulares, vários relógios, uma filmadora e dinheiro: R$ 900,00 e US$ 60.

O comandante da Polícia Militar, coronel Hudson de Aguiar, disse que "pensar que tudo vai ser resolvido só com polícia é um discurso ultrapassado". Ele criticou indiretamente a prefeitura ao citar a presença de "menores perambulando, moradores de rua, mendigos e uma prostituição que leva a drogas, bebida e lesões corporais".

Ontem (16), seis homens, em três motos, seguiram uma van da agência de viagens Brasil Expedition com 14 turistas e a interceptaram perto da Escadaria da Lapa, às 17h30. Três bandidos invadiram o veículo e, sob escolta, seqüestraram os passageiros por aproximadamente dez minutos, mas a van pifou. Os criminosos então fugiram carregando a chave de ignição e os objetos de seis passageiros. "Eles só não roubaram os outros clientes porque não tinham nada de valor. Um chileno jogou sua carteira para debaixo do banco e se deu bem", contou, revoltado, o dono da agência Brasil Expedition, Wilson Neves Júnior, na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), no Leblon (zona sul).

O assalto aconteceu a uma quadra de um carro da polícia que fazia patrulhamento. "Esse episódio é muito ruim para a imagem do Rio, que sediará os Jogos Pan-Americanos em 2007", disse ele. "A violência atinge todas as empresas de viagem. A gente tenta abafar algumas coisas para não piorar. Não levo mais ninguém na Escadaria da Lapa. Graças a Deus, o guia (que dirigia a van) acalmou os turistas e os bandidos e não houve nada pior".

Hospedado em um albergue em Ipanema, o sul-africano Corne Schriek, de 24 anos, foi uma das vítimas. Estudante de Bioinformática, ele veio ao Brasil com dois amigos de faculdade para participar de uma conferência sobre o assunto, em Fortaleza Depois, esticou a viagem para conhecer o Rio, onde chegou no dia 15 e ficará até sábado. Traumatizado, ele disse que nunca mais visitará a cidade. "Vou dizer para todo mundo que o Rio é perigoso, além de ser mais bonito nas fotografias", disse Schrieck, que também foi assaltado em Fortaleza. Perdeu boné e óculos em um ônibus. "Eu não tinha noção da violência".

O estudante, que foi assaltado no seu primeiro dia de visita aos pontos turísticos da cidade, tinha feito um seguro contra roubo. Antes do crime, admirou o Cristo Redentor e o bairro de Santa Teresa. Mesmo assustado, disse que iria ao Pão de Açúcar e às praias da zona sul.

Esta manhã, cinco chineses, entre eles três funcionários do governo, foram assaltados na Praia de Copacabana, às 6h45. Um foi agredido com um soco no rosto e caiu no chão. Munidos com uma faca, dois homens negros levaram uma filmadora. Os turistas não registraram queixa na Deat.

O comandante da PM voltou a afirmar que fará a escolta de turistas que chegam no aeroporto, caso seja procurado pelas agências. "Quem procurar a polícia dentro de um planejamento, nos avisando, vamos apoiar. As pessoas deveriam receber orientação assim que chegassem à cidade sobre quais os locais deveriam passar, quais evitar, as regiões mais perigosas. Mas elas não recebem nada. Não somos oniscientes e onipresentes. Estamos abertos ao diálogo, não vamos encobrir os fatos, quando erramos assumimos, só que precisamos ter uma visão mais abrangente. Não é só com polícia que se resolve essas questões. Outros órgãos falham e jogam a culpa, como se tudo fosse por falta de polícia."

O secretárIo da Segurança Pública, Roberto Precioso, recusou-se a comentar os assaltos a turistas após a inauguração do Grupamento Especial de Áreas Especiais no alto do morro da Providência, no centro, onde Aguiar conversou com os jornalistas.

Fonte: AE


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