A quadrilha desmantelada nesta quarta-feira pela Receita Federal e a Polícia Federal importou de maneira fraudulenta cerca de R$ 1,1 bi nos últimos quatro anos. Pelo menos R$ 500 milhões deixaram de ser pagos em impostos. Até a noite haviam sido presas 95 pessoas em todo o País.
A operação aconteceu em oito Estados - PR, SC, SP, BA, RJ, PE, CE e ES - e nos Estados Unidos, onde a quadrilha tinha ramificações. Também foram cumpridos 220 mandados de busca e apreensão, até mesmo em grandes lojas de departamento e empresas. Entre os presos está o líder do esquema, o empresário de São Paulo Marco Antônio Mansur.
A organização atuava há cerca de 10 anos num complexo esquema, que envolvia dezenas de empresas de fachada e empresários laranjas para a importação a preços subfaturados de produtos de marca, principalmente eletroeletrônicos, equipamentos de informática e telecomunicações, pneus, carros, embalagens, perfumaria, vitaminas, motos, tecidos, materiais cirúrgicos e baterias. Empresas varejistas também estão envolvidas no esquema.
de Mansur já tinha sido alvo das investigações na Operação Narciso, que desmantelou no ano passado o esquema de subfaturamento na Daslu, famosa loja de produtos de luxo de São Paulo.
Os principais clientes do grupo eram empresas de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Cerca de 24 empresas comercializavam os produtos importados pela quadrilha. Esses reais importadores, muitas vezes, tinham conhecimento e até participavam das irregularidades. O esquema permitia a eles expressiva redução dos custos, o que garantia vantagem em relação aos preços da concorrência. A PF suspeita que a própria Daslu ainda estaria comprando produtos de importadoras de fachada do esquema.
US$ 1 milhão - Além de Marco Antônio Mansur, foi preso hoje, em Santa Catarina, o assessor da Secretaria de Fazenda do Estado, Aldo Hey Neto. Na sua residência, foram encontrados US$ 1 milhão e R$ 470 mil em dinheiro vivo. A assessora financeira da quadrilha, Alessandra Salewski, também foi presa na operação. O filho de Marco Antônio Mansur, o Marquito (Marco Antônio Mansur Filho) foi preso e estaria colaborando com as investigações. O braço da quadrilha no Rio de Janeiro, Antonio Carlos Barbeiro Mendes, e nove servidores da Receita envolvidos no esquema também foram presos.
Fonte: Agência Estado