Oito em cada dez consumidores já desistiram de fazer algum tipo de empréstimo por causa das elevadas taxas de juros. Segundo levantamento feito pela empresa de pesquisas TNS InterScience, a maioria das pessoas entrevistadas para o trabalho tem forte preocupação com os juros e teme não conseguir honrar a dívida, além de ficar com o nome sujo na praça. Só nos últimos 24 meses, 71% dos consumidores interromperam algum processo de crédito devido às taxas exorbitantes.
O levantamento foi feito com pessoas de ambos os sexos, das classes A, B e C, com idade acima de 18 anos, que tenham algum tipo de produto financeiro (conta corrente, poupança ou cartão de crédito) e com renda familiar mensal mínima de R$ 500. "Nessas classes, o consumidor está cada vez mais consciente do impacto dos juros na hora de comprar produtos ou fazer algum tipo de financiamento", afirma o presidente da TNS, Paulo Secches.
De acordo com a pesquisa, 98% dos consumidores ouvidos consideram a taxa cobrada nas diversas modalidades de crédito altas ou proibitivas. Quase 70% das pessoas atribuíram ao cheque especial o título de campeão dos maiores juros. Em seguida ficou o empréstimo em banco (68%) e o crediário das financeiras (68%).
Para essas pessoas, a percepção é que os juros aumentam em 75% o valor do bem a ser financiado. Mais da metade dos entrevistados, cerca de 58%, comprariam mais se as taxas fossem mais baixas. "Esses indicadores nos levam a concluir que, mesmo com a ampliação do crédito, as taxas continuam a influenciar fortemente o comportamento de compra e a inibir o acesso ao crédito e consumo", diz Secches.
Mas, na avaliação do economista da Austin Rating Alex Agostini, essa consciência toda só existe nas classes mais altas e média e não na classe baixa. Para ele, o público D e E acaba comprando independentemente do nível dos juros. "Nesse caso, vale, sim, a máxima de que o consumidor compra se a parcela couber no seu bolso.
AS MAIS LEMBRADAS- A modalidade de crédito que mais sofreu com a desistência dos consumidores foi o empréstimo pessoal (43%) oferecido pelos bancos, seguido pelo crediário das financeiras (36%) e crediário de loja (23%). Apesar disso, o empréstimo em banco é o mais conhecido dos consumidores entrevistados, além do cartão de crédito. Cerca de 61% das pessoas ouvidas têm um cartão de crédito.
Fonte: Agência Estado