Presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) estavam planejando novos ataques e rebeliões para o Dia dos Pais. A ameaça foi flagrada em escutas telefônicas feitas pela inteligência policial. Ela retoma o cronograma original do PCC, que previa uma ofensiva em agosto, antecipada para maio em resposta ao isolamento dos chefes da facção na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A ação prevê o envolvimento dos detentos que saírem dos presídios de regime semi-aberto para visitar suas famílias.
"Quem sair vai quebrar e quem ficar vai virar", diz a ordem. Virar significa, na gíria das prisões, provocar rebelião nos presídios. Os presos no regime semi-aberto têm o direito de sair cinco vezes por ano da prisão para visitar suas famílias em datas especiais. No fim de semana do Dia das Mães, quando ocorreram os piores ataques de maio, haviam sido liberados pela Justiça para visitar os parentes 12.633 presos, dos quais 11.156 retornaram aos presídios no prazo legal. Nenhuma das rebeliões atingiu unidades de regime semi-aberto no Estado - as 74 penitenciárias rebeladas eram de regime fechado.
A ameaça do PCC pode ser mais uma entre outras não cumpridas pela organização até agora. Entre elas, está a de provocar um blecaute no Estado atacando a infra-estrutura de energia paulista. Outra ameaça até agora não cumprida foi a de matar políticos do PFL e do PSDB.
Uma escuta telefônica feita pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) flagrou um preso conhecido como Moleque repassando ordens a um bandido que se identifica como Muca. Este pede ao preso que repasse as ordens da cúpula, o chamado salve, para ataques no Estado.
Com caneta e caderno na mão, a conversa começa. Mas em vez de mandar matar os políticos dos dois partidos, por algum motivo, a ordem é repassada de forma truncada. Em vez de políticos, o preso manda matar os "policiais da câmara municipal, PFL, PSDB". Quando o criminoso pede confirmação da ordem, o detento explica: "Esses são os polícias (sic) que ficam nas câmaras, tem os policiais que ficam nas câmaras".
Um delegado do Denarc disse nessa terça-feira (25) ao Estado não ter dúvidas de que o fato de a ordem ter chegado truncada nas ruas fez com que políticos dos dois partidos não sofressem atentados na mais recente onda de violência promovida pela facção. "Em vez de políticos, pensaram que era para matar policiais.
Um exemplo de que o PCC queria atacar os legislativos municipais ocorreu em Juquitiba, na Grande São Paulo. Ali, bandidos jogaram uma bomba que destruiu o prédio da Câmara Municipal no dia 12 de julho. O edifício não tinha vigias e foi um alvo fácil para o grupo do PCC.
A ordem para matar os políticos do PSDB e do PFL - respectivamente os partidos do ex-governador, Geraldo Alckmin, e do atual, Cláudio Lembo - foi interceptada após o começo dos últimos ataques. Os bandidos listaram os alvos do PCC: concessionárias de carros, ônibus, servidores públicos, policiais, agentes penitenciários, caixas eletrônicos, supermercados e até cinemas - único alvo que escapou dos bandidos. Mandavam deixar faixas nos lugares contra a "opressão carcerária". Tudo cumprido, menos a ordem de matar os políticos.
Fonte: Agência Estado