Os jovens continuam fazendo escolhas profissionais apoiadas em aspectos isolados (matérias específicas, mercado de trabalho, cursos menos concorridos etc.) e referências incompatíveis com a realidade. Em conseqüência, a carência de conhecimento do próprio perfil e de informações sobre a economia local, mundial e tendências atuais e futuras, tende a transformar projetos profissionais em projetos de fracasso.
No livro Pernambuco Afortunado: da Nova Lusitânia à Nova Economia (1), publicado recentemente, os autores Carlos André Cavalcanti e Francisco Cunha fornecem dados sobre o desenvolvimento econômico e a vocação de Pernambuco, fundamentais para se visualizar possibilidades capazes de reverter perspectivas sombrias de determinados campos profissionais, como se vê a seguir.
A riqueza e a diversidade cultural de Pernambuco são apontadas como detentoras de potencial de desenvolvimento em áreas como música, cinema, produção de audiovisuais, dança, artes plásticas, moda e turismo. Confirmam essa avaliação, como melhores exemplos, o sucesso do Festival Cine/PE, o Abril pro Rock, o Circuito do Frio - iniciado com o Festival de Inverno de Garanhuns e depois estendido a outras cidades do interior - e a Fennearte (Feira Nacional de Negócios do Artesanato). No setor de turismo, o pólo do litoral Sul, centralizado em Porto de Galinhas, se consolidou como um dos mais demandados destinos para turistas brasileiros e estrangeiros. Vale destacar que, até poucos anos, essas atividades eram colocadas em segundo plano no conjunto da economia estadual.
Para os artistas, o resultado desses eventos é a conquista de prêmios e o reconhecimento no cenário nacional e internacional. Para quem produz objetos artesanais, confecções e para os comerciantes, a Fennearte é um amplo espaço de contatos e negociação. Este ano a feira atraiu 12 mil participantes, representados 11 países e 27 estados brasileiros, estes integrantes do Programa do Artesanato Brasileiro. A movimentação financeira atingiu a cifra de R$ 16,2 milhões durante os dez dias do evento. O artesanato e sua comercialização também abrem possibilidades para quem trabalha com turismo.
No campo das ciências exatas, os investimentos na construção e na operação da refinaria de petróleo, do estaleiro naval, do pólo de poliéster e do pólo siderúrgico exigirão especialistas nas engenharias mecânica, naval, mecatrônica, civil e química. Crescerá expressivamente a demanda por mão-de-obra especializada. Fato que reforça vocações de Pernambuco, reconhecido pela liderança no campo da medicina e direito (segundos pólos do País), odontologia, design, engenharia, economia, arquitetura, administração, economia, consultoria e marketing.
Outro diferencial competitivo é a localização estratégica do estado. Próximo ao continente europeu e a meio caminho do Cone Sul, Pernambuco tem o privilégio de dispor do porto de Suape, que se constitui em um pólo de logística e de distribuição para grandes empresas. Seu funcionamento depende da atuação de profissionais capacitados para trabalhar com tecnologia e gestão empresarial, financeira, controle e automação. Previsões indicam que Suape será um pólo de formação de mão-de-obra naval, com capacidade de atrair de 30 a 40 empresas fornecedoras para o estaleiro. (2)
Outras vantagens se encontram na área de Tecnologia da Informação (TI). O estado congrega instituições de reconhecida competência em TI, como o Centro de Informática da UFPE, o C.E.S.A.R., o Porto Digital e a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, que absorvem especialidades em diferentes áreas de atuação da ciência da computação, engenharia da computação e eletrônica e webdesigner.
Além de todas as condições citadas, Pernambuco é o maior pólo educacional do Nordeste. Um saber consolidado, conferido pela maior concentração de mestres e doutores da região (superior à soma de mestres e doutores que atuam no Ceará e na Bahia); por deter 51% dos grupos de pesquisa e do maior percentual regional de população de nível superior.
1. CAVALCANTI, C. A.; CUNHA, F. A. C. Pernambuco Afortunado: da Nova Lusitânia à Nova Economia, Recife: Ed. INTG, 2006.
2. Caderno Economia, Jornal do Commercio, 15 de julho de 2006.