Flora Noberto
Especial para o JC OnLine
O último dia da 14ª edição do festival Abril pro Rock foi marcado mais uma vez por uma maratona de shows cansativa, mas divertida para um domingo. Durante 8 horas sem intervalos, o festival que começou no fim da tarde de ontem trouxe dez atrações de estilos bem variados, apesar de serem encaixadas na noite pop do evento que segmentou a programação. Os shows mais celebrados pela pequena platéia que foi ao pavilhão do Centro de Convenções foram os de Lafayette e os tremendões e Orquestra Imperial, ambas do Rio de Janeiro. A noite ainda contou com Cidadão Instigado (CE), Camille (França), Cachorro Grande (RS) e as bandas pernambucanas Iupi, Carfax, Parafusa, Maquinado e Volver, acompanhando o gaúcho Frank Jorge.
A programação dominical, como já é de costume, é mais tranqüila. A festa de ontem cumpriu o papel de apresentar novas sonoridades e bandas de fora no palco 1 e dar visibilidade às bandas pernambucanas no palco 2. Na sexta, o APR inovou ao dedicar uma noite inteirinha a música eletrônica, mas não teve sucesso. O público foi pequeno para a pista montada no festival. No sábado, a noite metaleira apesar de ter mais gente, teve público reduzido em comparação com outros anos.
Os shows mais divertidos de ontem para a maior parte da platéia foram os de Lafayette & Os tremendões e da Orquestra Imperial, projetos paralelos de músicos que integram outras bandas. Em ambos, o clima foi de baile para dançar. A trupe Os tremendões, formada por figuras das bandas Acabou La Tequila, Penélope, Canastra e Autoramas, é acompanhada pelo tecladista da jovem guarda Lafayette. No show, eles fizeram o público cantar junto os sucessos de Roberto e Erasmo Carlos, inclusive com uma participação do pernambucano China, vocalista da banda Del Rey que também interpreta hits do rei.
A big band Orquestra Imperial, uma das atrações mais aguardadas, foi a responsável por fechar a noite. Com 19 pessoas no palco, entre elas Rodrigo Amarante (Los Hermanos), os produtores Kassin e Bernas Ceppas, a atriz global e cantora Thalma de Freitas e o baterista e sambista Wilson das Neves, o projeto é inspirado nas orquestras de gafieira. O repertório é eclético e até irreverente. Além de sambas, instrumentais e canções de baile para dançar agarradinho, a orquestra tocou Vem fazer glu-glu, composição da época de apresentador infantil de Sérgio Malandro.
Famosa por ter sempre convidados ilustres como Caetano Veloso e Marisa Monte em suas temporadas badaladas de shows no Rio de Janeiro, no Recife, a banda recebeu o cantor e compositor Jorge Mautner, que entre outras canções, interpretou Maracatu atômico, música de sua autoria, famosa nos anos 90 pela gravação de Chico Science e Nação Zumbi.
As performances da banda cearense de Fernando Catatau, Cidadão Instigado, a cantora francesa Camille, e a banda de rock gaúcha Cachorro Grande também tiveram destaque ontem. Aclamada pela crítica, a Cidadão Instigado foi a segunda atração a se apresentar e teve público cativo que foi só para escutar ao vivo o repertório dos CDs Método tufo de experiências e O ciclo da decadência que misturam brega, rock progressivo, reggae e batidas eletrônicas.
A francesa Camille, apesar de ser desconhecida da platéia, conseguiu a simpatia dos que assistiam ao show. Incrementou a apresentação da sua música pop com palmas e dancinhas, e até chamou pessoas da platéia para subir ao palco. O rock engraçadinho da gaúcha Cachorro Grande foi momento de euforia para uma grande quantidade de fãs que estavam presentes. A banda não é novidade e tem público fiel na cidade, inclusive já se apresentou no APR, em 2003.
PERNAMBUCANAS - Apesar de acontecer no Recife, o festival Abril pro Rock é tido pelas bandas pernambucanas como uma oportunidade de mostrar os seus trabalhos para o Brasil, já que o festival é coberto pela imprensa de diversos Estados, e produtores de gravadoras sempre procuram novos talentos no evento. A maioria das bandas locais se apresentou ontem: Iupi, Carfax, Parafusa, Maquinado e Volver, acompanhando o gaúcho Frank Jorge. Um fato interessante é que todas as bandas não têm referências na música popular regional, o que já marcou o domingo em outras edições.
A banda de hardcore de letras românticas Iupi teve a difícil tarefa de abrir o festival no palco 2 e não agradou muito quem chegou cedo. A Carfax apresentou o pop-rock do CD O gosto antigo da novidade lançado de forma independente no ano passado. Mesmo mostrando segurança no palco, a banda foi prejudicada pelo som que estava desequilibrado. Não se podia escutar bem as letras cantadas pelo casal Marcelo Pompi e Iana Reckman.
A Parafusa mostrou que já conquistou maturidade e um público fiel no Estado. Das bandas pernambucanas, foi a que teve show mais empolgante. Ao contrário da Maquinado, que teve sua estréia no Recife. A banda é um projeto do guitarrista da Nação Zumbi, Lúcio Maia. Na banda, além de tocar, ele canta e comanda programações e efeitos no computador. O público estava atento ao show, mas não se empolgou, o que resultou em pedidos insistentes de aplausos de Maia. No show high tech, o cantor das cirandas e maracatus Siba (Mestre Ambrósio), que estava em Nazaré da Mata, teve seu canto executado via computador.
A Volver, última a se apresentar no palco 2, foi a única banda que já havia participado do APR. Depois de tocar o ano passado, a banda foi convidada a voltar, desta vez acompanhando o cantor gaúcho Frank Jorge. Juntos, pernambucanos e gaúcho mostraram um bom entrosamento na apresentação de um rock romântico e irônico, que teve a participação do cantor carioca Nervoso.