É comum os jovens apresentarem resistência para fazer orientação profissional. Esta recusa pode estar relacionada a diversos aspectos. Neste texto, serão destacados três: resultados pouco eficazes dos antigos testes vocacionais, a busca por soluções mágicas e a ilusão de que basta conhecer aspectos isolados da profissão que sua escolha estará segura.
O teste vocacional é um instrumento considerado em desuso e associado aos resultados que dão margem a respostas diversas, pouco conclusivas ou tendenciosas, além de prescindir de intervenções que articulem os dados pessoais à análise das profissões e da realidade do mercado de trabalho. A descrença nesse modelo contribui para que os pais, os jovens e a sociedade em geral não dê a devida importância ao processo de escolha da profissão.
Quanto à demanda por soluções mágicas, esta se constitui numa das características principais das relações humanas na atualidade. Produtos e serviços são solicitados e oferecidos hoje com o propósito de atender a necessidade de abreviar o tempo, dissolver os espaços, adotar condutas formatadas e fazer escolhas descartáveis, inclusive quando se trata das relações amorosas. Daí, a ilusão de que as respostas mais valiosas são aquelas que são adquiridas com maior brevidade.
No âmbito da escolha da profissão, não é diferente. São diversos os relatos sobre opções ou escolhas profissionais fracassadas que se basearam em informações pontuais, no que a mídia apontava como a rota do sucesso, em cursos menos concorridos e outros motivos também vinculados à falta de um projeto profissional. As mudanças permanentes do mundo globalizado e sem fronteiras não comportam mais decisões que levam apenas em consideração o espaço circunscrito da realidade imediata.
No caso das profissões, é preciso ter uma visão estratégica de futuro, porque elas mudam, as suas áreas de atuação se diversificam ou desaparecem na velocidade que o mercado funciona. Os avanços tecnológicos, por exemplo, determinaram a substituição do homem por máquinas, equipamentos, robôs e sistemas computadorizados, provocando alterações nas atividades e nos vínculos do homem com o trabalho. Situações novas serão administradas de maneira mais ou menos favorável a depender do preparo das pessoas para responder de modo competente aos desafios.
Em Pernambuco, um conjunto importante de empreendimentos será instalado nos próximos anos. Mas, para que se transformem em ganhos para a economia do Estado é preciso trazer benefícios diretos para a população local: emprego e renda. Ambos exigem pessoas capacitadas. Caso contrário, iremos assistir ao "filme" que se repete nas economias emergentes: pessoas desempregadas e vagas desocupadas por falta de gente competente. No Brasil, a perda de oportunidades de trabalho e a migração das pessoas para atividades informais, em muitos casos, são conseqüências dos déficits da educação.
No caso dos universitários, especialistas destacam dois problemas. O primeiro se refere à distância entre a formação acadêmica e as condições para atuar de acordo com as exigências práticas do mercado. Enquanto o segundo está ligado à falta de aptidão para planejar suas carreiras, devido ao desconhecimento sobre as tendências do mercado e as áreas onde existem demandas coincidentes com suas competências e expectativas. Os dois problemas afetam a inserção dos jovens na vida profissional.
Essas situações exigem ações integradas entre instituições de ensino, especialistas em formulação de projetos profissionais e de análise de mercado. Informações confiáveis se constituem em um dos determinantes da escolha profissional bem estruturada.
O evento Acerte o Rumo, uma realização da Trajeto Consultoria, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Sistema Jornal do Commercio, com apoio do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Pernambuco, visa promover debates como um modo de contribuir para que os jovens reflitam sobre a escolha de sua profissão com base nas tendências do mercado e na realidade do Estado.